Daquelas coisas que não sabemos...
Ninguém sabia de seus anseios, de seus sofrimentos (e nem tinha como saber)... Mas seu desempenho dentro de campo era cobrado com total intolerância e insensibilidade.
Raul Ruydiaz teve toda sua “turbulência extra campo” ignorada, mas sua falta de resposta dentro do gramado não.
O futebol de elite dos dias de hoje, com seus salários irreais, não só está “esfriando” a forma de se torcer (com ingressos cada vez mais caros e seletivos), como também está “desumanizando” o esporte.
Robinho, no penúltimo jogo, destarte vir sendo o principal carregador de bola deste time do Coritiba (e venho dizendo isso desde sempre), foi “massacrado” por perder um gol no último minuto de partida... No entanto, poucos (ou nenhum dos) torcedores sabiam que, mesmo com sua mulher perdendo um bebê em gestação, o jogador não deixou de estar presente nos jogos e não abriu mão de ajudar a equipe nesta difícil situação no Campeonato.
Neste sábado, enquanto todos focalizavam suas energias em lamentar o empate sofrido no último segundo de jogo contra o Corinthias, um detalhe passou completamente despercebido: O volante Hélder, que saiu sentido da partida, fez questão de estar em campo e cumprir sua promessa de jogar pela torcida, mesmo tendo passado a noite anterior em claro, por conta do assassinato a tiros de seu irmão, o lateral Piauí.
Sentimos tanta falta do “amadorismo” no futebol... Dos tempos em que se jogava por amor, por ideal... Mas se pararmos para pensar, não estaríamos nós mesmos, os torcedores, contribuindo para esse “futebol moderno”, onde a frieza dos resultados suplantam qualquer sentimento?
Olhamos para o campo e vemos peças nessa busca por nossos anseios... Talvez por isso os atletas de hoje olhem para a bola como cifra$ no final do mês.
Quem sabe, o resgate daquele antigo futebol, da humanização do esporte, passe também por nós.
Quem sabe, passe necessariamente por nós...
Um abraço!!
Luiz Berehulka
Sobre o autor
Luiz Berehulka, advogado, designer, músico e coxa branca desde criancinha! Frequenta o Couto desde sempre e não se contenta em simplesmente torcer, está constantemente contribuindo com o clube e usando seu tempo livre para promover as cores do Coritiba. Foi autor da conhecida versão lenta do Hino Eterno Campeão de Francis Night, já tocou seus arranjos das músicas do Coxa em diversos eventos do clube e é pai do André, o menininho que ficou famoso no Youtube cantando o hino inteiro do Coxa quando tinha só dois aninhos. Sempre que pode está nas redes sociais, debatendo as coisas do seu time de coração e divertindo os amigos (e irritando os adversários) com suas montagens sarcásticas.
Sobre o blog
Sabe aquele bate papo entre torcedores, amigos ou colegas de trabalho? Aquela situação levantada no churrasco, ou aquela dúvida que de repente alguém ouviu do amigo do primo do vizinho do fulano? Então, essa é a ideia do blog! Sem obrigação de seguir uma filosofia, ou mesmo uma tendência, a intenção é trazer sempre temas atuais relativos ao Coritiba, com o objetivo de simplesmente pensar o Coritiba... refletir sobre o Coritiba dentro de uma ótica de torcedor.
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