Os Arautos do Caos
Porém o jogo, que representou apenas a quinta derrota do Coxa no campeonato e que encerrou uma longa série invicta do time, parece ter mais uma vez tirado todo o crédito de um elenco que vem superando seus limites desde o início da competição e ocupa a doze rodadas a liderança desse campeonato.
A derrota, pelo placar dilatado, propiciou o cenário perfeito para o ressurgimento dos arautos do caos que insistem em criar uma crise no Alto da Glória, e que a cada oscilação vão as redes sociais pedir a cabeça do treinador tentando descredibilizar todo o trabalho que está sendo feito. Talvez estes estejam com saudade do ano de 2018 quando estávamos na exata situação em que o Cruzeiro se encontra hoje, ganhando um jogo aqui, outro ali, mas praticamente sem chances de acesso.
É lógico que a derrota doeu na nossa alma e que ninguém está satisfeito com o rendimento da equipe nos últimos jogos. Mas tem certas coisas que fogem completamente do limite da lógica. Alguns comentários chegaram até atribuir ao Coxanautas e ao nosso otimismo a razão pela má fase do time, o que beira a insanidade.
Parte da torcida parece ter esquecido que no início do campeonato tínhamos um elenco desacreditado, uma situação financeira delicadíssima, e um treinador altamente questionado. Muitos diziam que estávamos fadados a cair para 3ª divisão. Todos queriam a solução de sempre: mudança do treinador e a contratação de uma barca de jogadores. Naquela ocasião, o saudoso Presidente Renato Follador resistiu a pressão e manteve o planejamento, mostrando que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus.
Outros andam dizendo que o Coritiba tem tido sorte no campeonato, vencendo jogos pelo placar mínimo e escapando de derrotas. Me desculpem, nenhuma sorte resiste a 29 rodadas. A história e os números provam isso. O que temos é um time bastante regular e um treinador que tem conseguido fazer os atletas jogarem no seu limite, na maioria das partidas.
O momento do campeonato pede que toda essa emoção dê lugar a frieza. Temos nove rodadas em que precisamos fazer dez pontos. É hora de parar de ficar falando em título, de menosprezar adversário, e achar que vamos ganhar jogos antes de entrar em campo. É preciso que todos nós voltemos a ter aquela humildade lá de trás, de comemorar o placar magro e de valorizar as pequenas coisas.
Para os jogadores é um momento de trabalhar muito mais o lado psicológico do que o lado técnico e tático. A partir de agora não dá mais pra admitir o time entre em baixa rotação nas partidas e competindo menos que o adversário. A gordura agora foi queimada, e a sequência dos próximos 3 jogos não será nada fácil.
Mas acima de tudo é preciso que a torcida esteja em sintonia com o time, que acredite até o final, apoie, incentive e passe energias positivas. De negatividade já estamos cheios, pois já tem muita gente querendo o mal do Coritiba.
Estamos em uma temporada chave para a viabilidade do nosso clube nos próximos anos, e o objetivo está muito próximo. Não é a hora de maximizar as críticas. Não é hora de fomentar crises. O poder do que dizemos e compartilhamos é muito maior que imaginamos. Precisamos de foco e união total, como tivemos nas retas finais de 2007 e 2010, para que muito em breve possamos comemorar o nosso tão almejado retorno ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído.
Dá-lhe Coxa!
Saudações Alviverdes.
Sobre o autor
Curitibano, nascido em 1986, Servidor público há 14 anos, Torcedor apaixonado pelo Coritiba desde 1993, acompanho o Coxanautas desde 1998 quando ganhei meu primeiro PC. No entanto, só me tornei sócio Coxanautas recentemente, muito em razão das novas iniciativas do site, que propiciaram um contato mais próximo ao público que acompanha o site. Tenho extremo prazer em ler, comentar e assistir conteúdos voltados ao futebol, em especial ao Coritiba. Também sou fã da Premier League, que acompanho bem de perto desde 2004. Tenho uma especial admiração pela história do clube e pelo grupo Helênicos.
Sobre o blog
Nesse espaço vou elaborar análises a respeito do momento atual do Coritiba, fazendo referências a fatos e personagens que fizeram parte do Coritiba a partir da década de 1990. Também vou trazer conteúdo focado em uma geração de torcedores resilientes, que não presenciaram a época áurea e mais vitoriosa do clube, mas que mesmo diante de momentos de muita dificuldades, nunca perderam o amor incondicional pelo maior e mais tradicional clube de futebol do Estado do Paraná.
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