O declínio do Rádio
Foi ouvindo as transmissões de rádio que aprendemos muito sobre futebol, com o ingrediente extra de poder desenhar em nossas mentes cada jogada narrada e detalhada pelo locutor e pelo comentarista. Após as partidas, o pós jogo era um momento de gala que servia para nos aprofundarmos em cada detalhe ocorrido no confronto entre as equipes, debater alternativas que poderiam ter sido utilizadas pelos treinadores, e fazer uma análise crítica do desempenho individual de cada atleta, lastreada por fatos e argumentos realistas.
Hoje em dia, infelizmente o rádio já não tem mais essa pujança. Eu mesmo já abandonei esta mídia faz um certo tempo. Ouço agora apenas de maneira ocasional. O que antes eu pensava ser um comportamento natural devido ao fato de termos todos os jogos televisionados além de outras mídias atualmente, agora percebo se tratar de um fenômeno, em muito, decorrente da fragilidade daqueles que protagonizam as jornadas no rádio. Nas últimas vezes que recorri ao rádio para acompanhar parte de um jogo, parecia que o comentarista estava com preguiça de fazer seu ofício, ou que estava falando de outra partida, dada a falta, distorção ou superficialidade de seu conteúdo.
O declínio do rádio ocorre não só pela redução das opções de estações ao longo do tempo, mas também por uma safra de profissionais que em sua maioria não conseguem mais proporcionar a experiência que o ouvinte espera. Alguns veteranos parecem ter perdido o pudor da parcialidade, e junto com isso perderam também a coerência e a credibilidade que já tiveram lá trás. Outros na realidade nunca foram comentaristas de alto nível, mas continuam lá, talvez por falta de opções melhores no mercado. Exceções existem sim, mas são poucos. Na minha opinião, Guilherme de Paula é um dos que destoam positivamente.
E assim, muitos torcedores vão ficando de saco cheio, fartos de ouvir a mesma ladainha de sempre baseada exclusivamente em resultados, com comentários vazios cercados de juízos de valor simplórios do tipo fulano é bom, ciclano é ruim, ou avaliações tendenciosas e/ou fora da realidade, que menosprezam o que é nosso, minam trabalhos de longo prazo, e que vão aos poucos fazendo os torcedores migrarem cada vez mais das ondas AM/FM para a transmissão da própria TV, e também para lives independentes no Youtube (Coxanautas agradece!).
Avalio que esse declínio do rádio é algo muito lamentável, pois sempre fui fã dessa mídia tão tradicional. Até pouco tempo atrás acompanhava os jogos com a TV mutada, e o bom e velho parceiro ligado, dado o apego que tinha ao rádio.
Talvez eu esteja falando de algo que já teve seu período dourado e está seguindo um rumo inevitável como tantas coisas que vão ficando obsoletas com o tempo. Mas prefiro acreditar que não, e ter a esperança de que as emissoras de rádio em geral busquem se reinventar, renovar seus quadros, requalificar seu produto para quem sabe recuperar o protagonismo perdido, antes que seja tarde demais.
Dá-lhe Coxa!
Saudações Alviverdes!
Sobre o autor
Curitibano, nascido em 1986, Servidor público há 14 anos, Torcedor apaixonado pelo Coritiba desde 1993, acompanho o Coxanautas desde 1998 quando ganhei meu primeiro PC. No entanto, só me tornei sócio Coxanautas recentemente, muito em razão das novas iniciativas do site, que propiciaram um contato mais próximo ao público que acompanha o site. Tenho extremo prazer em ler, comentar e assistir conteúdos voltados ao futebol, em especial ao Coritiba. Também sou fã da Premier League, que acompanho bem de perto desde 2004. Tenho uma especial admiração pela história do clube e pelo grupo Helênicos.
Sobre o blog
Nesse espaço vou elaborar análises a respeito do momento atual do Coritiba, fazendo referências a fatos e personagens que fizeram parte do Coritiba a partir da década de 1990. Também vou trazer conteúdo focado em uma geração de torcedores resilientes, que não presenciaram a época áurea e mais vitoriosa do clube, mas que mesmo diante de momentos de muita dificuldades, nunca perderam o amor incondicional pelo maior e mais tradicional clube de futebol do Estado do Paraná.
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