Memória afetiva
Alguns torcedores do Coritiba tiveram a sorte de passar essa fase nos áureos anos 70, enquantos outros tiveram o privilégio de comemorar um título brasileiro nessa epoca da vida. No meu caso, o meu período lúdico no futebol foi nos anos 90. Justo nos obscuros anos 90 em que o Coritiba viveu um período conturbado, com uma seca de títulos.
Ainda assim, guardo na memória esse período como se fosse o melhor que já existiu. Romário e Ronaldo fenômeno não eram jogadores, eram heróis. Assim como Brandão, Pachequinho e Cleber Arado. Na nossa memória afetiva esses craques não falhavam nunca e eram responsáveis por muitas vitórias. E eram mesmo.
Mas ao assistir um VT no youtube de uma partida de 2001 entre Vasco e São Paulo (disponível no link) uma outra realidade me veio a tona.
Neste jogo o lendário Rogério Ceni cometeu uma falha juvenil e foi expulso logo no início do jogo. Os craques Romário, França e Euller chegaram a perder gols inacreditáveis, quase bizonhos. O resultado final foi 7 x 1 para o time cruzmaltino.
Percebe-se nos melhores momentos da partida uma completa bagunça tática dos dois times, o que proporciou um absurdo número de chances dos dois lados, mesmo para o São Paulo que tinha um atleta a menos.
Aí eu fico pensando, será que o futebol "da minha época" era tão melhor que o atual? Hoje estamos execrando nosso time por não vencer de forma convincente times medíocres como Aruko, Rio Branco, São Joseense e os Azuris da vida.
Mas a verdade é que não vemos hoje aquela dissiparidade de outrora. Não tivemos um placar sequer nesse campeonato estadual com uma margem maior que quatro gols. Nos outros estaduais que estão rolando por aí a mesma coisa acontece, incluindo o carioca, o paulista e o gaúcho.
Enquanto craques consagrados lá trás precisavam de três oportunidades pra marcar um gol, hoje condenamos Robson e Pinho por errarem a única chance que chegam pra eles nos últimos jogos.
A conclusão que chego é que será cada vez mais raro vermos nosso time vencer por uma margem de 6, 7 ou até 9 gols no certame local como já fizemos com Francisco Beltrão e Rio Branco, e tantas outras equipes no passado.
Evolução ou Involução? Eu diria que assim como tudo na vida o esporte se modernizou, em especial do ponto de vista tático. O futebol de hoje se pauta menos pela transpiração e mais pela organização. Mesmo times ruins hoje conseguem se armar de uma maneira a dificultar o jogo para os clubes maiores, o que torna o futebol atual mais nivelado.
Independente disso, continuaremos sempre a dizer que hoje não existem mais os craques de verdade como haviam na "nossa época" e que o futebol não é mais o mesmo, ainda que isso seja apenas um traço de tristeza pela perda daquela mágica que o esporte já proporcionou na nossa vida pregressa.
Dá-lhe Coxa!
Saudações Alviverdes.
Sobre o autor
Curitibano, nascido em 1986, Servidor público há 14 anos, Torcedor apaixonado pelo Coritiba desde 1993, acompanho o Coxanautas desde 1998 quando ganhei meu primeiro PC. No entanto, só me tornei sócio Coxanautas recentemente, muito em razão das novas iniciativas do site, que propiciaram um contato mais próximo ao público que acompanha o site. Tenho extremo prazer em ler, comentar e assistir conteúdos voltados ao futebol, em especial ao Coritiba. Também sou fã da Premier League, que acompanho bem de perto desde 2004. Tenho uma especial admiração pela história do clube e pelo grupo Helênicos.
Sobre o blog
Nesse espaço vou elaborar análises a respeito do momento atual do Coritiba, fazendo referências a fatos e personagens que fizeram parte do Coritiba a partir da década de 1990. Também vou trazer conteúdo focado em uma geração de torcedores resilientes, que não presenciaram a época áurea e mais vitoriosa do clube, mas que mesmo diante de momentos de muita dificuldades, nunca perderam o amor incondicional pelo maior e mais tradicional clube de futebol do Estado do Paraná.
Ver comentários (17)
