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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Covardia e Incoerência.

Não merecíamos sequer o empate tamanha a covardia e a incoerência demonstrada pelo nosso treinador na armação da equipe antes e durante os 90 minutos deste recém acabado Atletiba.

Tanto é verdade que começamos a partida com 3 volantes, se não contarmos Gil, que jogou na lateral, e terminamos sem nenhum, com Everton Ribeiro jogando de segundo volante ao lado de Tcheco.

A tática retranqueira, no intuito de povoar a meia cancha teoricamente frágil do Atlético, que joga no 4-3-3, logo se demonstrou equivocada, permitindo ao “atrétis” dominar a meia cancha e, com seu esquema extremamente ofensivo, propiciar aos torcedores que foram à Vila Capanema praticamente todas as chances de gol do primeiro tempo.

Para Marcelo Oliveira, que claramente foi à sua antiga casa paranista em busca do empate, o Gol de Everton Ribeiro, um acaso do destino, foi mais do que ele desejava. Por alguns instantes pensou ter sido premiado por sua tática extremamente cautelosa.

Enganou-se.

Logo em seguida, também por acaso, a bola sobrou para Bruno Mineiro, que fez o Gol e empatou o jogo. Daí por diante, fomos engolidos pelo clube da segunda divisão, que no início do segundo tempo, após falha feia de Vanderlei, virou o jogo com Liguera. Por mais que me doa dizer isto, àquela altura os poodles mereciam a vitória, ante a covardia com a qual jogava o Coritiba.

Como o regulamento das finais do nosso estadual é simplesmente ridículo - tanto faz perder de 2 ou de 10, a covardia de Marcelo Oliveira, logo deu lugar a incoerência. Tomado de um espírito corajoso e aventureiro - o qual poderia e deveria ter tido desde o início - tirou os volantes Djair, Urso e o meia Lincoln, inútil até então, pra colocar Marcel, R. Oliveira e Anderson Aquino.

Ficamos sem esquema tático, mas deu resultado. Após receber passe de Emerson, que se aventurava ao ataque (até porque estava valendo tudo àquela altura do jogo) Anderson Aquino pôs a bola no canto esquerdo de Vinícius e empatou o jogo.

Empatamos um jogo horrível. E que não perdemos de mais porque eram os poodles, frágeis e dóceis, nos atacando. Fosse o São Paulo, o Santos, o Fluminense, o Inter, qualquer time decente enfim, provavelmente voltaríamos com uma sacola de gols na bagagem. E este risco não podemos correr no Brasileirão, sob pena de sermos novamente um time caseiro. Um saco de pancadas fora do Couto Pereira.

Esta postura medíocre não pode se repetir na Copa do Brasil, onde levar os gols que levamos hoje significa desclassificação.

O empate no fim das contas, pelas circunstancias do jogo, não foi um mal resultado. Foi até bom para a conquista do título paranaense que será decidido agora em nossa casa. Mas pode ter sido ruim para o futuro do Coxa em outras competições, por fazer brotar no treinador motivação ainda maior para montar um time, um dia, só com volantes e meias:

Vanderlei, Gil, Chico, Urso e Sergio Manoel. Tcheco, Djair, França e William. Lima(?) e Renan Oliveira. O time dos sonhos de Marcelo.


Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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