Por um Brasil menos legal.
Porém, enquanto não desenvolvemos este espírito de de decência e retidão, precisamos de leis.E nós, brasileiros, precisamos de muitas leis extremamente complexas. Isto porque as leis aqui não servem apenas para regular determinado procedimento ou ocorrência, mas sim tentar controlar a latente imoralidade do povo. Povo em todas as suas dimensões: cidadão, governo e tribunais.
Difícil se cumprir a lei, quando os seus “usuários”, não buscam a regra, mas sim a brecha, a exceção. Não à toa existe a seguinte máxima, tão antiga quanto o próprio direito: “aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei.”
Foi isso que ocorreu na 39ª rodada do brasileirão. A Lei se cumpriu, rebaixou a Portuguesa, e resgatou o Fru. A portuguesa errou, e não se pode negar que decisão do STJD é legal. Mas é moral? É equânime e justa?
O problema é que fica a impressão de que, se fosse ao contrário, a decisão seria outra. Se fosse o Corinthians, o Flamengo ou outro integrante do eixo, a decisão seria outra. Como foi a Lusa, a lei se cumpriu. Fez-se a regra, não a exceção. O futuro dirá se o que o STJD fez neste caso foi cumprir a regra, ou abrir uma exceção.
Mas o pior de tudo foi ver torcedores do time carioca, na entrada do Tribunal, como se arquibancada fosse, pulando e vibrando com cada voto dos auditores, como se fosse um gol. Ao final, celebraram a goleada de 5x0, que lhes deu o “título”. Título de um tapetão ainda sujeito a ser rasgado pelo pleno. Tenho nojo desses torcedores, mas não serei hipócrita. Fosse o Coxa na situação dos cariocas, é óbvio que ficaria feliz, mas não a ponto de festejar. Um tanto quanto envergonhado, respiraria aliviado. Mas os cariocas parecem mais a vontade com jeitinhos, e enjambres.
Não sei como terminará esta situação e nem quero saber. Fico triste porque Direito é meu ofício, e ele não deveria se meter no meu lazer: o futebol. Fazer o quê... Fato é que este caso é reflexo do Brasil como um todo, um país extremamente legalista, hipócrita, imoral e injusto. Onde a relatividade é a mãe das atitudes. Onde as instituições mais lúdicas são pervertidas por seus membros. Onde as melhores ideias são estupradas pelas mentes impuras da ganância, da corrupção e do ganho a qualquer custo. Jamais se verá um país exalando perfume, se seu povo fede chorume.
Termino minha participação neste glorioso espaço em 2013, da mesma forma como terminou o campeonato, melancólico. Torcendo por um Brasil mais moral e menos legal.
Boas festas a todos! Saúde e paz, que do resto a gente corre atrás!
Sobre o autor
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.
E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.
E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.
Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”
E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.
E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.
Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”
Sobre o blog
O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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