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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Orgulho de ser coxa-branca.

Conforme vamos ficando mais velhos, aprendemos que a vida é uma batalha repleta de vitórias e derrotas.
Mas nem toda a bagagem adquirida ao longo de uma vida nos ensina exatamente a como vibrar serenamente com os sucessos, muito menos a como não sofrer, e muito, com as perdas.

Prova disso foi o que ocorreu comigo nesta final: deixei o Couto Pereira antes do término do jogo, o que em 25 anos de Couto Pereira jamais havia feito.

Totalmente frustrado com a falta, inexistente, marcada e que se tornaria o lance originário do gol dos porcos, bem como pelo pênalti sofrido por Rafinha, logo na seqüência, que, lógico, não foi marcado, somado à tendenciosa e malandra arbitragem do primeiro jogo da final, simplesmente, sem avisar aos amigos que me rodeavam, virei as costas e fui.

Amigos aos quais, pela indelicadeza, peço públicas escusas.

Depois de lutar por alguns minutos, com o rapaz do portão do Couto que não me queria deixar sair, obtive êxito em minha fuga, e caminhei, já arrependido por ter ido embora, solitário até onde estava o carro, e depois, até minha casa.
A solidão do momento foi fundamental para restaurar minha calma e me fazer pensar: o que ganhamos quando perdemos?

Casca? Armadura? Pode ser...

Não quero aqui tentar diminuir a dor e a tristeza Coxa, que está estampada no clima cinzento, nos rostos incolores, no riso dos invejosos, e até no gosto amargo do cafezinho. Quero apenas e tão somente tentar perceber e valorizar o que ganhamos com dois seguidos vice-campeonatos:

Experiência? Certamente.
Projeção nacional e espaço na mídia? Sim, fizemos nossos patrocinadores felizes.

Mas o que de melhor ganhamos?

Sem dúvida: RESPEITO.

Respeito dos adversários e de todos aqueles que estavam, pela pirraça bairrista, de olhos vendados ao Coritiba Foot Ball Clube e sua maravilhosa torcida.

Perdemos o título, sim, e daí? O futebol não é mesmo uma feiticeira bela, injusta e malvada, que só nos judia, maltrata, e pela qual somos perdidamente apaixonados?

Então, não temos muito do que reclamar, sabíamos onde estávamos nos metendo...

E este respeito, com suor e sangue ganho, reforça e reafirma algo muito maior, algo que nenhum time nem árbitro jamais poderão nos furtar, algo que nos faz seguir alviverdes, sócios, eternamente, não importa onde, nem como, freqüentando religiosamente este Templo do Futebol que jaz entre a Ubaldino e a Mauá:

O orgulho de ser coxa-branca!

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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