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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

A efemeridade de um título.

Conquista de títulos. Será que é isto que deve mover um Clube de Futebol?

Ergue-se a taça, choros e risos nas arquibancadas, volta olímpica no gramado, carreatas, fogos, festa, ressaca, e no dia seguinte o que sobra?

O dever de buscar mais um título.

Clubes que buscam o título a qualquer custo, que, por ter isto como única meta, contratam medalhões a peso de ouro, assumem débitos impagáveis, abaixam ridiculamente os preços de seus ingressos, raramente o alcançam, e quando o fazem, ou chegam perto, deixam uma bomba a estourar nos próximos anos, como acontece com Flamengo e Vasco em 2012.

Títulos como o do Flamengo há alguns anos, e a participação ótima do Vasco ano passado, em verdade são acidentes de percurso de clubes mal administrados, mas que, com sorte, e também com a ajuda da arbitragem, conseguiram esconder atrás da taça, por algum tempo, todas as moléstias que lhes acometem.

Com o Fluminense, campeão virtual deste ano, não é tão diferente.

Não senhores, um clube não deve ser movido exclusivamente pela busca a qualquer custo de um título; um clube deve ser movido, precipuamente por 2 objetivos: aumento e fidelização de torcedores, e montagem de elencos perenemente competitivos.

Para que me faça melhor entender, “o título”, que, também pode ser chamado de, “o prêmio”, como o próprio nome já diz, deve ser tido apenas como a conseqüência final de um longo trabalho, conquistado com dedicação e participação de todos os envolvidos: clube, time e torcedores.

Assim como a conquista, a perda de um título não necessariamente deve resultar em mudanças no comando de um clube ou time. É a cultura da supervalorização do título, aliada ao total desprezo pelo vice, ou o terceiro lugar, que faz o futebol brasileiro tão volátil no que tange a permanência de jogadores e treinadores em seus cargos. E esta volatilidade, por sua vez, é a causadora dos valores astronômicos a título de salários que treinadores e jogadores recebem no Brasil, bem como da subserviência dos clubes aos seus empresários.

Quanto à torcida, esta muito menos deve ser movida a títulos, a vitórias. Se assim fosse, a Ponte Peta não tinha mais torcida. Se assim fosse, como explicar a média de público do Santa Cruz?. Ou, em nível internacional, os estádios europeus sempre lotados, não importando a fase ou a série que o time enfrenta? O torcedor deve ser movido primeiramente por amor ao futebol, e em segundo lugar pelo amor ao seu time, na alegria e na tristeza.

Isto porque o futebol é muito mais do que a efemeridade de um título. Futebol é o deslumbre da criança que pisa pela primeira vez num estádio, é a conversa sem fim de botequim, é a união de todos por um único objetivo, é abraçar um desconhecido no momento do gol, enfim, é o amor pelo mais lindo e injusto dos esportes.

Títulos são importantes? Claro que são. Afinal, quem não quer gritar “é campeão!” Mas o futebol não é e nem deve ser movido por títulos, e sim pelo eterno desejo de buscá-los. Quanto mais cedo os clubes e seus torcedores entenderem isso, mais times de qualidade teremos, mais estádios lotados teremos, e, por conseguinte, mais espetáculo e saúde financeira no futebol.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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