O uso dos garotos da base no profissional
A piazada vai resolver a qualidade do profissional ? Obviamente que não. O que não concordo é que a terceira opção para determinada posição não seja um garoto que vem do sub20. Se aos 18, 19 ou 20 anos não tem condições para ser a terceira opção como lateral direito, por exemplo, algo está muito errado em nosso processo de formação.
Não consigo concordar com o empréstimo de um jogador do clube e a contratação de outro que será o terceiro suplente, isso não faz sentido.
O Coritiba historicamente é um clube formador, seja pela qualidade na base, seja pela necessidade enfrentada em determinados momentos da história.
A questão que esse processo é particular de cada atleta, enquanto com 16 anos o Alex entrou no meio campo colocando seus companheiros na cara do gol em um atleTIBA de 1995, outros levam algum tempo para a adaptação no profissional.
Enquanto a maioria de nós atinge o ápice profissional entre 35 e 45 anos, com o conhecimento técnico/acadêmico/experiência, esse garotos são lançados com uma imensa responsabilidade com 20 e poucos anos, idade que a maioria de nós só pensava e sair final de semana e aproveitar a vida.
Igor Paixão é um ótimo exemplo, foi sendo aproveitado aos poucos ano passado, até agarrar a titularidade absoluta. Mas em 2022, vem mostrando uma evolução impressionante. Na minha opinião esse é o modelo ideal.
Entendo que essa transição tem que ser progressiva, lançando os garotos aos poucos junto com os mais experientes e com mais tempo de clube. Um jogo com 6 ou 7 meninos na base, com outros atletas recém chegados, em campo esburacado ou uma péssima grama sintética, não é a melhor estratégia.
Mesmo com todos esse cuidado, vamos concluir que vários deles não serão destaque no profissional, mas não podemos desperdiçar aqueles que poderiam ser aproveitados.
Alguns vão agarrar a oportunidade, outros vão entrar em campo achando que já são craques. Observaremos aqueles que mesmo com 20 anos não estão preparados para atuar em clube de primeira divisão, deixarão o Coritiba e daqui alguns anos serão destaques no cenário nacional, isso faz parte do mundo do futebol.
Gostaria que o Coritiba tivesse um plano bem estruturado de transição, que o % de atletas na equipe profissional jogando fosse mais expressiva, acredito que é possível
Sobre o autor
Marcelo Algauer de Almeida é formado em Educação Física pela PUCPR e Especialista em Fisiologia do Exercício pela UFPR, professor universitário, pesquisador da performance fisiológica e neurofisiológica no futebol. Como preparador físico venceu diversas competições nacionais e internacionais, em vários clubes de futebol, futsal e outras modalidades esportivas.
Sobre o blog
O Blog "Futebol, Ciência e Opinião" tem o objetivo de informar e elucidar diversos temas a respeito da área científica que envolve o futebol. Os estudos científicos servem de suporte aos desportos de alto rendimento e performance. O torcedor recebe informações na maioria das vezes incompletas sobre diversos temas, como aquecimento, lesões musculares, lesões articulares, métodos de recuperação pós jogo ou treinamento, desenvolvimento das habilidades motoras, entre outras. A complexidade dos termos utilizados na fisiologia do exercício também dificultam a compreensão por parte dos torcedores, que através deste blog terão muitas de suas dúvidas esclarecidas.
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