Trocando o frio pelo calor
O Coritiba faz hoje um jogo na cidade de Salvador, a previsão é de uma temperatura acima de 25 graus e umidade relativa do ar em torno de 75%.
A temperatura e a umidade relativa do ar, influenciam o metabolismo do atleta durante o transcorrer de uma partida.
Na cidade de Curitiba, vivemos um clima de inverno, com baixas temperaturas, os atletas treinam e jogam em clima frio, como ocorreu na última quinta-feira, inclusive com chuva. O organismo nessas condições sofre adaptações chamada de “aclimatação”, a temperatura central é maior, a freqüência cardíaca aumenta, o tremor passa a ocorrer em uma temperatura menor, as mãos e pés passam a ter uma maior temperatura, entre outras. Os estudos descrevem que a “aclimatação” ocorre após cerca de uma semana de exposição ao frio.
Em regiões de clima quente, a “aclimatação” é praticamente inversa, a temperatura central menor, a freqüência cardíaca diminui, ocorre um aumento do volume plasmático(sangue), o início da transpiração é mais precoce consequentemente a perda de líquidos e sódio é aumentada. Os estudos descrevem que a “aclimatação” ocorre entre uma e duas semanas de exposição ao calor.
Não existe tempo hábil para que os jogadores do Coritiba possam se “aclimatar” a cidade de Salvador, mas como o jogo será realizado as 18:30, a influência da temperatura deve ser menor, mas ainda causa preocupação devido a umidade relativa do ar em torno de 75%.
Quando uma partida é realizada em clima quente com umidade relativa do ar alta, a taxa de evaporação do suor é diminuída, sendo esse o principal mecanismo de “resfriamento” da temperatura do atleta. A conseqüência é uma maior transpiração com maior perda de sódio e líquidos, podendo causar fadiga precoce.
A hidratação deve ocorrer antes, durante e após a partida.
“O papel do preparador físico e do fisiologista, são fundamentais na partida de hoje, serão responsáveis por aplicar estratégias que possam minimizar os efeitos do calor, observar o comportamento dos atletas e recomendar a ingestão de líquidos durante todo o jogo”
Sobre o autor
Marcelo Algauer de Almeida é formado em Educação Física pela PUCPR e Especialista em Fisiologia do Exercício pela UFPR, professor universitário, pesquisador da performance fisiológica e neurofisiológica no futebol. Como preparador físico venceu diversas competições nacionais e internacionais, em vários clubes de futebol, futsal e outras modalidades esportivas.
Sobre o blog
O Blog "Futebol, Ciência e Opinião" tem o objetivo de informar e elucidar diversos temas a respeito da área científica que envolve o futebol. Os estudos científicos servem de suporte aos desportos de alto rendimento e performance. O torcedor recebe informações na maioria das vezes incompletas sobre diversos temas, como aquecimento, lesões musculares, lesões articulares, métodos de recuperação pós jogo ou treinamento, desenvolvimento das habilidades motoras, entre outras. A complexidade dos termos utilizados na fisiologia do exercício também dificultam a compreensão por parte dos torcedores, que através deste blog terão muitas de suas dúvidas esclarecidas.
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