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Futebol, Ciência e Opinião
Futebol, Ciência e OpiniãoMarcelo A. Almeida

Preparação em Foz do Iguaçu



O Coritiba optou mais uma vez por iniciar a fase de preparação na cidade das três fronteiras, utilizando os bons campos da cidade e as ótimas instalações de um hotel.

Em primeiro lugar, pré-temporada é algo do passado, aquela fase onde os atletas realizavam extenuantes trabalhos físicos para adquiri a tão comentada “base” para o ano todo já não existe mais. O período entre o último jogo da temporada passada e a reapresentação é muito curto, não é suficiente para que o atleta venha a se apresentar em baixas condições físicas.

Nessa fase, tem início um novo ciclo de treinamento físico, técnico e tático que continuará por toda a temporada, nesse conceito o atleta é monitorado durante todo o ano para manter-se em boas condições fisiológicas, o volume e intensidade de treinamento é dosado durante todo o ciclo, de acordo com a competição. Não é mais necessário (e possível) atingir um bom nível físico e técnico em determinada fase do ano, já que as competições são de regularidade e não mais “mata-mata” como no passado(isso é assunto para uma coluna específica sobre o tema, o relato acima serve como introdução).

Foz do Iguaçu é uma das cidades mais quentes do Brasil durante o verão, além da umidade relativa do ar sempre próxima de 100%, que proporciona uma sensação térmica ainda pior, prejudicando consideravelmente as ações termorreguladoras.

A literatura descreve, que esse é um dos piores cenários para a prática de qualquer tipo de exercício, quente e úmido. O risco de lesões é maior, o volume e intensidade de treinamento devem ser reduzidos, o período entre recuperação entre uma sessão de treinamento e outra é prejudicado.

Atuei alguns anos como preparador físico e fisiologista na região de Foz do Iguaçu, conheço na prática as dificuldades de desenvolver os treinamentos nesse cenário. Em dias com duas sessões, o treino da manhã deve ocorrer muito cedo, evitando a exposição ao calor extremo, já a segunda sessão deve ocorrer ao final do dia, aproveitando a queda de temperatura.

O período de recuperação é curto entre o treinamento no final do dia(que normalmente é realizado entre 18:00 e 20:00) e a atividade do dia seguinte, que deve ser iniciada próximo das 7:00 da manhã, para que seu fim não ultrapasse ás 9:00, fase em que o calor passa a ser insuportável e causa um stress fisiológico muito grande ao atleta.

Em algum jornal da capital, li a reportagem que a fase de treinamento em Foz do Iguaçu seria excelente para a “Aclimatação”, já que a maioria dos jogos do estadual é disputado no interior com temperaturas maiores do que na capital paranaense.

Discordo totalmente, a literatura descreve que o período de aclimatação ao calor é de aproximadamente uma semana, se acompanhada da prática de exercícios durante pelo menos 90 minutos diários (GAMBRELL, 2002).

Como a base de treinamento do Coritiba após o início do campeonato paranaense será Curitiba, em alguns dias os atletas estarão aclimatados as condições da capital paranaense e sofrerão o mesmo stress fisiológico quando forem atuar em cidades mais quentes.

Caso a exposição repetida ao calor não seja mantida a aclimatação ao calor pode desaparecer em algumas semanas, já que é transitória (RHOADES; TANNER,2005).

Na opinião desse colunista, a cidade de Foz do Iguaçu durante o verão, não é a região adequada para esse período de treinamento, entretanto espero que a equipe tenha sucesso, alcance seus objetivos e faça uma boa campanha em 2013.

Sobre o autor

Marcelo A. Almeida
Marcelo Algauer de Almeida é formado em Educação Física pela PUCPR e Especialista em Fisiologia do Exercício pela UFPR, professor universitário, pesquisador da performance fisiológica e neurofisiológica no futebol. Como preparador físico venceu diversas competições nacionais e internacionais, em vários clubes de futebol, futsal e outras modalidades esportivas.

Sobre o blog

O Blog "Futebol, Ciência e Opinião" tem o objetivo de informar e elucidar diversos temas a respeito da área científica que envolve o futebol. Os estudos científicos servem de suporte aos desportos de alto rendimento e performance. O torcedor recebe informações na maioria das vezes incompletas sobre diversos temas, como aquecimento, lesões musculares, lesões articulares, métodos de recuperação pós jogo ou treinamento, desenvolvimento das habilidades motoras, entre outras. A complexidade dos termos utilizados na fisiologia do exercício também dificultam a compreensão por parte dos torcedores, que através deste blog terão muitas de suas dúvidas esclarecidas.
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