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Futebol, Ciência e Opinião
Futebol, Ciência e OpiniãoMarcelo A. Almeida

Lesão reincidente



O atleta Leonardo, apresentou-se na semana passada e passa a reintegrar a equipe profissional do Coritiba para o restante da temporada.

Não se discute a capacidade técnica do atleta, porém as inúmeras lesões durante o transcorrer da carreira, causam dúvidas sobre sua condição física e o qual seria a causa dessa “síndrome”.

O futebol é um esporte de contato físico de características mistas (resistência, força e velocidade), que resulta em uma exigência por parte do atleta consideravelmente alta. O calendário é absurdo, tanto em relação ao tempo em competição, número excessivo de jogos e principalmente o pouco tempo de recuperação entre as partidas.

A exposição a mídia proporciona o retorno financeiro, competindo menos as equipes terão menos dinheiro disponível para a qualificação dos elencos, entretanto o stress físicos a qual são submetidos os atletas profissionais não são suportados por todos os seres humanos. O resultado é o alto índice de lesão em alguns e queda consideravelmente de rendimento em outros.

Alguns atletas já no início de suas carreiras, mesmo possuindo boa qualidade técnica, acabam sendo descartados por não suportar tão alto volume e intensidade e treinamento, necessários em função da exigência da modalidade.

Durante a fase de formação podemos observar verdadeiros “absurdos”, atletas expostos a extenuantes fases de treinamento, competições constantes, atuações com lesões musculares e articulares em função da exigência de vitória em competições de base. A competição e treinamento, fazem parte do processo de formação do atleta, entretanto devem ser respeitadas as limitações físicas, preservando sua integridade para o período mais importante, a carreira profissional.

Como nem todos sobrevivem ao ambiente limitado, os mais adaptados ao meio acabam obtendo sucesso, exatamente como descrito por Darwin. Alguns atletas conseguem manter-se em bom nível e com número menor de lesões durante sua carreira, já outros não suportam.

A Ciência do Treinamento Desportivo e a Fisioterapia,estudam essas limitações e desenvolvem estratégias preventivas como métodos mais eficientes de recuperação pós jogos, um acompanhamento nutricional e médico mais qualificado, exercícios preventivos, um cálculo mais adequado do volume x intensidade das atividades e principalmente a individualização do treinamento, voltado a atender as necessidades e limitações específicas de cada atleta.

Embora a Ciência tenha desenvolvido estratégias mais eficientes, alguns atletas já atingiram níveis acentuados de desgaste fisiológico, apresentando respostas menos eficazes.

Ressaltando que nenhuma estratégia obtém sucesso sem o comprometimento do atleta, preocupando-se com sua alimentação, descanso e ficando distante de bebidas alcoólicas.

Analisando friamente o cenário atual, conclui-se que as equipes devem ser formadas por um número maior de atletas de bom nível, proporcionando a comissão técnica uma maior opção de recuperação aos jogadores sem comprometer a qualidade coletiva do grupo.

O atleta menos adaptado necessita de mais tempo de recuperação e cabe também ao clube observar se durante o processo de formação os jovens não são expostos a situações que possam reduzir sua performance na categoria profissional.

Sobre o autor

Marcelo A. Almeida
Marcelo Algauer de Almeida é formado em Educação Física pela PUCPR e Especialista em Fisiologia do Exercício pela UFPR, professor universitário, pesquisador da performance fisiológica e neurofisiológica no futebol. Como preparador físico venceu diversas competições nacionais e internacionais, em vários clubes de futebol, futsal e outras modalidades esportivas.

Sobre o blog

O Blog "Futebol, Ciência e Opinião" tem o objetivo de informar e elucidar diversos temas a respeito da área científica que envolve o futebol. Os estudos científicos servem de suporte aos desportos de alto rendimento e performance. O torcedor recebe informações na maioria das vezes incompletas sobre diversos temas, como aquecimento, lesões musculares, lesões articulares, métodos de recuperação pós jogo ou treinamento, desenvolvimento das habilidades motoras, entre outras. A complexidade dos termos utilizados na fisiologia do exercício também dificultam a compreensão por parte dos torcedores, que através deste blog terão muitas de suas dúvidas esclarecidas.
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