Exigência física
Achei um assunto bastante interessante e resolvi escrever sobre o assunto.
O futebol é um desporto de características mistas, jogado em campo de grama, sujeito a influências climáticas severas, trata-se de uma modalidade onde o mesmo membro que serve como deslocamento é responsável pelo gesto técnico. A distância média percorrida por um atleta de futebol, com base nos últimos estudos, gira em torno de 10 km por partida, o contato físico é constante (uma verdadeira guerra), a recuperação traumática faz parte do processo de recuperação orgânica, não apenas o stress causado pelas condições de exercício.
Comparando com o tênis, um desporto jogado em piso nivelado, sem contato físico, fracionando em “games” e “sets”, que em torneios de 5 sets ocorrem partidas em torno de duas horas. A distância percorrida em média por um atleta dessa modalidade, gira em torno de 3,2 km, em distâncias curtas, dificilmente superiores a 3 metros de deslocamento por ação. Em uma partida de tênis, somente 22% do tempo o atleta está efetivamente em atividade.
Interessante comparar com outro desporto, o basquete, jogando em ginásio, piso também nivelado, onde o atleta percorre em média 4,4 km, sua participação é ativa tanto na defesa como no ataque, entretanto a regra permite substituições livres proporcionando ao participante sair e retornar a partida após uma pausa para recuperação.
Em se tratando de calendário, é incomparável o futebol com outras modalidades, a temporada começa na segunda quinzena de janeiro e termina no começo de dezembro, o prazo de recuperação entre um ciclo e outro é muito pequeno, sem falar que número de partidas no ano que chega a ser irresponsável.
Como comparação, o calendário do tênis 2012(ATP), começa em janeiro e termina no começo de novembro, lembrando que dificilmente um tenista disputa todas as competições.
A reclamação sobre o desgaste físico no futebol brasileiro é totalmente justa, os atletas competem demais e acabam treinando pouco, a fase de recuperação entre uma temporada e outra é insuficiente, as distâncias são grandes e o calendário inchado.
Além da queda de rendimento, o índice de lesão é alto. No futebol brasileiro atual, é preciso ter um bom planejamento, um plantel grande e com qualidade, infelizmente essa questão envolve fatores econômicos.
Sobre o autor
Marcelo Algauer de Almeida é formado em Educação Física pela PUCPR e Especialista em Fisiologia do Exercício pela UFPR, professor universitário, pesquisador da performance fisiológica e neurofisiológica no futebol. Como preparador físico venceu diversas competições nacionais e internacionais, em vários clubes de futebol, futsal e outras modalidades esportivas.
Sobre o blog
O Blog "Futebol, Ciência e Opinião" tem o objetivo de informar e elucidar diversos temas a respeito da área científica que envolve o futebol. Os estudos científicos servem de suporte aos desportos de alto rendimento e performance. O torcedor recebe informações na maioria das vezes incompletas sobre diversos temas, como aquecimento, lesões musculares, lesões articulares, métodos de recuperação pós jogo ou treinamento, desenvolvimento das habilidades motoras, entre outras. A complexidade dos termos utilizados na fisiologia do exercício também dificultam a compreensão por parte dos torcedores, que através deste blog terão muitas de suas dúvidas esclarecidas.
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