
2
Falando de Bola
Durante muito tempo, me acostumei a assistir ao Campeonato Brasileiro olhando mais para baixo do que para cima na tabela.
Era cálculo contra o rebaixamento, preocupação rodada após rodada, medo constante de repetir erros recentes e a sensação de que qualquer sequência ruim poderia transformar a temporada em mais um pesadelo.
Quantas vezes não pensamos, após uma derrota, que tudo iria por água abaixo novamente?
Talvez por isso a campanha do Coritiba neste Brasileirão esteja mexendo tanto com o torcedor coxa-branca.
Porque ela veio sem aviso.
Veio em um ano em que pouca gente acreditava. Em uma temporada cercada por desconfiança, principalmente depois do retorno da Série B, de um início irregular, atuações instáveis e uma equipe que ainda parecia buscar identidade.
E, sinceramente, quantos imaginavam o Verdão brigando na parte de cima da tabela após 17 rodadas?
Pouquíssimos.
Talvez nem o mais otimista dos coxas esperasse ver o Coritiba chegando a este ponto da competição igualando a histórica campanha de 2008, um dos times mais eficientes do clube na era dos pontos corridos.
Mas o futebol tem dessas coisas.
Aos poucos, o time de Fernando Seabra foi encontrando equilíbrio. A defesa tem a força do monstro Jacy, o meio-campo tem a felicidade de contar com Josué distribuindo passes, lançamentos e assistências como poucos jogadores no futebol brasileiro conseguem fazer, e o ataque encontrou velocidade e eficiência nos contra-ataques.
Mais do que isso: o Coritiba voltou a ter “cara” de time competitivo.
E como fazia falta sentir isso novamente.
Fazia falta assistir a um jogo grande sem entrar derrotado emocionalmente antes mesmo da bola rolar.
Fazia falta olhar a tabela e procurar quem está acima, não quem está abaixo.
Fazia falta ver o Couto Pereira pulsando por esperança, e não apenas por sobrevivência.
Talvez o maior mérito dessa equipe seja justamente ter devolvido algo que o torcedor vinha perdendo nos últimos anos: o prazer de acompanhar o Coritiba no Brasileirão.
Ainda existem problemas, claro. O elenco precisa de reforços, o campeonato é longo e a parada para a Copa do Mundo pode mudar completamente o cenário da competição.
Mas existe algo que ninguém pode tirar deste time: ele devolveu o orgulho ao torcedor coxa-branca.
E talvez isso explique a felicidade diferente que existe hoje ao redor do Alto da Glória.
Não é soberba. Não é ilusão de título. Não é achar que o Coritiba virou potência da noite para o dia.
É apenas o alívio e a alegria, de voltar a sonhar um pouco depois de tantos anos apenas sobrevivendo.
Saudações Alviverdes!
A opinião dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
Cada colunista tem sua liberdade de expressão garantida e assinou um termo de uso desse espaço.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)