O dia em que o acesso não foi suficiente
Sim, chamo de fracasso, pois, apesar de o empate ter garantido o acesso à Série A, perder a oportunidade de conquistar um título nacional perante a sua torcida é algo que não tem outra palavra que combine tanto quanto fracasso.
Achei normal a reação de parte da torcida ao final da partida. Apesar de não concordar com os gritos de vergonha, entendi quem se manifestou dessa forma. Eu não me manifestei assim, mas entendo quem fez e não julgo ou condeno. Preferi, ao final do jogo, ficar em silêncio e buscar respostas para mais uma expectativa frustrada em relação ao Coritiba. Obviamente, não encontrei, mas me perguntei: “por que o Coritiba judia tanto assim da gente?!”
O duro é saber que um golzinho, perante uma das defesas mais vazadas da competição, resolveria a parada. Mas o Coritiba foi mestre naquilo que tem sido o maior defeito da equipe no campeonato: a dificuldade em fazer gols.
Os jogadores do Coritiba não entraram em campo com a mentalidade de um time que precisava vencer para conquistar um título. E tinham todos os ingredientes para isso: Couto lotado, festa linda nas arquibancadas, recepção com muito incentivo da fantástica torcida coxa-branca. Mas os ingredientes não foram suficientes para motivar os jogadores e fazê-los entrar diferentes em campo. Entraram de forma apática e só foram ameaçar a meta de um dos times mais vazados da competição depois dos trinta minutos do primeiro tempo. Um número absurdamente ruim para um time que conquistaria o título em caso de vitória.
As vaias ao final da partida não foram pelo acesso, mas sim pela forma como o time mais uma vez se mostrou em campo, pela expectativa criada e que restou frustrada ao torcedor coxa-branca. E isso os jogadores precisam entender e não ficar de beicinho por conta das vaias e gritos de vergonha, apesar do objetivo do acesso conquistado. Até porque o acesso já tinha sido praticamente selado em Belém, na vitória sobre o Paysandu.
Ali, o Coritiba atingiu 99,99% de chances de acesso. No Couto, contra o Athletic, era o jogo do título — e ele não veio. Essa é a razão que motivou muitos torcedores a agirem daquela forma.
Agora vamos para a última rodada disputando o título com o maior rival. Eles precisam vencer para conquistar o acesso e sonhar com o título. Nós precisamos apenas de um empate para garantir o troféu e afastar aquilo que pode ser considerado uma das maiores vergonhas da história do Coritiba: a perda de um título praticamente ganho para o maior rival, que até pouco tempo atrás estava afundado em crise na Série B.
Só espero que os jogadores do Coritiba tenham noção da responsabilidade que carregam neste momento e entrem em campo em Manaus motivados para trazer o título para Curitiba. Uma pena que perderam a chance de fazer isso ao lado do seu torcedor e terão que buscar a conquista a mais de 3 mil quilômetros de casa.
Saudações alviverdes.
Sobre o autor
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.
Sobre o blog
O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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