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Falando de Bola
O dom que o Coritiba tem de mudar o nosso humor é algo impressionante.
Dias atrás, no empate contra o Sport Club Internacional, sofri uma das maiores decepções dos últimos tempos quando o assunto é Coritiba.
Comemorava feliz uma vitória inesperada sobre os gaúchos, quando veio aquela ducha de água fria no fim do jogo. O empate foi como uma avalanche de gelo caindo sobre a minha cabeça. Lembro que sentei, olhei para o Marcelo Carneiro, que estava ao meu lado, e disse: “É muito castigo, não aguento mais isso”.
Saí triste e cabisbaixo do Couto Pereira, lamentando que ainda tinha uma live para fazer e reviver tudo o que tinha acontecido naquela partida. No caminho até o carro, fiquei pensando: “Por que o Coritiba judia tanto da gente assim?”
Aí veio o jogo contra o Santos pela Copa do Brasil. Couto Pereira lotado, uma vitória simples bastava. Mas a noite estava estranha. O Coritiba começou amassando o Santos, algo que, convenhamos, não tem sido tão comum dentro de casa. Veio o gol anulado e, logo depois, a frustração. Quando sofremos os dois gols, eu tinha certeza de que não viraríamos o jogo, talvez nem empatássemos. Não parecia que tínhamos força para isso.
E lá fomos nós mais uma vez, caminhando rumo ao estacionamento e pensando no que falar em outra live pós-jogo. Em derrotas doloridas, às vezes a vontade é simplesmente ficar em silêncio. Mas aí entra o compromisso com o torcedor coxa-branca que acompanha o nosso trabalho todos os dias.
Com as coisas indo de mal a pior e uma sequência de cinco jogos sem vitória, eu tinha pouca expectativa para o jogo de domingo. Estádio lotado, mídia criando um verdadeiro circo em torno de Neymar, Coritiba cheio de desfalques. A partida parecia ter todos os ingredientes para mais um fracasso.
Sentei para assistir ao jogo sem grandes expectativas e, sinceramente, achava que levaríamos uma verdadeira paulada do Santos. Mas eis que entra em cena o “Imponderável de Almeida”, e o Coritiba faz um primeiro tempo digno dos grandes times que o futebol brasileiro já produziu. Uma atuação perfeita: marcação forte, troca de passes envolvente, intensidade, transições rápidas e conclusões certeiras.
A expressão carrancuda do início da manhã rapidamente deu lugar aos sorrisos, aos gritos e à incredulidade. Em questão de minutos, fui de um estado quase depressivo para um êxtase difícil de explicar, sem acreditar no que estava vendo acontecer diante dos meus olhos.
Cabreiro como todo torcedor coxa-branca, só fui acreditar na vitória quase no apito final. Mas quando o juiz encerrou a partida, veio aquele alívio acompanhado da sensação deliciosa de saber que, naquela noite, faríamos uma live leve, feliz e cheia de coisas boas para falar.
O Coritiba é isso. Entre alegrias e decepções, seguimos vivendo e nos iludindo de que um dia as coisas finalmente vão melhorar e de que seremos felizes de verdade. Enquanto esse dia não chega, seguimos transitando entre o “esse time é ruim”, “vamos cair”, “a SAF é de mendigo”, e o “Josué é craque”, “Breno Lopes é matador”, “vamos para a Libertadores”.
E talvez seja justamente aí que mora o significado de ser coxa-branca. Sofrer, reclamar, se decepcionar, prometer desistir… e, poucos dias depois, estar novamente no Couto, na frente da televisão, ou em uma live, acreditando mais uma vez.
Porque, no fim das contas, por mais que o Coritiba maltrate o nosso coração, abandonar nunca foi, e nunca será, uma opção.
Saudações Alviverdes!
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)