Pobre de ti, Coritiba....
Campeonato Brasileiro. Coritiba x Inter. 30 segundos para o jogo, o quinto consecutivo sem uma vitória, acabar. O Coritiba tem a posse de bola, mas ao invés de jogá-la na área do adversário, os jogadores ficam tocando pro lado, e pra trás, até o juiz apitar o fim da partida.
Essa cena final do jogo contra o Inter foi emblemática, ao simbolizar a falta de vontade dos nossos jogadores em tentar a vitória, ao concretizar a mediocridade do contentamento com o empate, ao ofender a torcida que ousou acreditar nesse time de jogadores fracos e sem brio.
Tão emblemático quanto a falta de ousadia, foi o bisonho lance de Bill que, na cara do gol, conseguiu o feito inédito, até mesmo para um pereba como ele, de chutar em cima de si mesmo. E digo emblemático, porque ele simboliza o que se tornou o Coritiba: um clube patético, reflexo da pasmaceira que nos domina, uma casa de caridade, onde desempregados conseguem trabalho, onde eternos contundidos ficam meses a se tratar (para depois irem embora na primeira chance que tiverem), e onde a torcida é tratada como se fosse otária, ao ser cobrada (para se associar, para comparecer ao estádio) de uma forma como NUNCA são cobrados os nossos jogadores (para, pelo menos, buscarem a vitória até o último segundo).
Mas tá tudo bem. Amanhã teremos a tradicional avalanche de textos de auto ajuda, onde se culpa até o mês do ano, mas nunca os jogadores. Amanhã poderemos ler os pedidos para não vaiar essa equipe que ri da nossa cara, ao tocar a bola para trás. Amanhã, passaremos a sacolinha para criar um movimento contra a imprensa, essa sim a verdadeira culpada pela mediocridade que impera no Coritiba.
Não sei dos outros. Mas, pra mim, NUNCA será aceitável uma situação como essa. Cinco jogos sem vencer no Brasileirão, dois gols marcados nesses cinco jogos, sendo atropelados por um time que até há pouco estava na zona do rebaixamento e que, como nós, não tem um time nem razoável, mas, ao contrário de nós, tem MUITA vontade de vencer.
A culpa não é do mês de agosto, que existiu para todos. Nem tampouco é da imprensa, quando diz as verdades que não gostamos de ouvir, ou até mesmo as mentiras para as quais nem deveríamos ligar. A culpa não é daquele que vaia, pois não é um aplauso CEGO que fará um jogador aprender a jogar bola. Aliás, considero uma estupidez essa conversa de que a vaia prejudica ainda mais um jogador que já é ruim. Pois a ruindade dele vem bem antes da vaia. Esta é consequência daquela, e não o contrário, como alguns mal intencionados tentam nos fazer acreditar. A culpa é, sim, de quem contrata mal, vende mal, mente pra torcida, promete o que não pode cumprir e empurra com a barriga qualquer esboço de tentativa de mudar um cenário trágico que, novamente, se avizinha.
Trágico, sim! Ou não é uma tragédia ver um lance como o de Bill, hoje, contra o Inter? Ou não é uma tragédia virar motivo de chacota de um rival que joga em estádios emprestados? Ou não é uma tragédia ter acreditado, mesmo que por poucos segundos, nas promessas de Libertadores, e até de titulo? Ou não e uma tragédia ter que olhar para o lado e ver uma torcida hipnotizada, resignada, como bois seguindo ao matadouro, que não reage a um estado de coisas absurdo, que não ousa nem esboçar um protesto contra a mediocridade de um time que joga pra trás, ou contra uma diretoria cujos discursos não condizem à realidade??
Sigamos, pois, com a nossa rotina. Podem começar a bater, a responder rispidamente estas palavras. A culpa dessa péssima fase (?) pela qual passamos deve ser minha, que não me conformo com a mediocridade, não tolero mais o "quase", não aguento mais viver de promessas. Podem continuar achando que só o nosso clube é prejudicado pelas arbitragens, que só nossos jogadores se machucam, que agosto é de azar só pra nós, que quem consegue ser reserva de um Bill da vida vai voltar a jogar e vai resolver todos os nossos problemas, que são textos de auto ajuda e vídeos insanos que irão fazer o Coritiba vencer. Sigam com os olhos fechados por essas distrações, com os ouvidos tampados pelo aplauso cego, e com as bocas caladas pela "Revolução", enquanto nosso time se afunda ainda mais.
Vamos, então, a mais uma noite de inquietação com o destino do clube que amamos, enquanto os nossos dirigentes continuam escondidos, falando apenas através de seus porta-vozes revolucionários...
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Instagram: mpopini
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Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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