Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Pobre do Alex.

Só pude assistir ao jogo do Coritiba contra o Operário a partir do segundo tempo. Por isso, a apreciação que lanço aqui tem suas limitações ao que vi nos quarenta e oito minutos da segunda etapa.

E dentro do que vi, quero destacar alguns pontos que me pareceram marcantes.

Primeiro, refiro-me ao Alex. É o nosso craque, talvez o único a merecer tal qualificação se aplicarmos com rigor o conceito em contexto nacional e internacional. Fez um belo gol em jogada que contou com a importante participação do Robinho e protagonizou um lance que, se acontecesse em jogo do campeonato brasileiro, seria destaque na mídia. O chapéu que deu no Adoniran com o ombro foi antológico, embora se tratasse de lance isolado. Isso sem contar os tantos passes que fez no decorrer da partida, sendo sem dúvida o melhor do jogo. Terminado a partida, em entrevista ao PFC vi e ouvi um Alex desolado, deixando clara sua insatisfação com o coletivo – ele usou esta expressão – e a falta de atenção do time. Perguntado sobre se entendia como fato marcante a feitura do seu primeiro gol no Couto Pereira depois do seu retorno, respondeu com altivez que, em razão do mau resultado da partida, de pouco importava o tento que marcou. Conduta perfeita, que demonstra atitude de líder consciente. Imagino o que deve o Alex pensar e dizer intramuros, pois certamente quando de entrevistas se contém para não desmerecer seus colegas.
Pobre do Alex.

A segunda observação é no tocante ao RuyDiaz. Mais uma vez entrou em campo e nada produziu. E para mostrar como é grande o contraste em relação ao modo como o Alex trata a bola, recebeu deste um lançamento alto e quando foi matar aquela a chutou contra o próprio rosto! O lance foi à intermediária, perto da lateral, talvez passando despercebido por alguns e não ocasionando prejuízo direto ao time, mas serviu para deixar claras as limitações do peruano. O gol que perdeu talvez se pudesse debitar às circunstâncias do futebol. Mas pelo que nunca jogou o RuyDiaz não tinha o direito de deixar de fazer o gol que perdeu. E joga na seleção peruana?
É pobre esse futebol peruano.

E por fim encerro com o que senti ante a entrada do Júnior Urso, talvez o ponto mais controvertido do jogo. O técnico errou marcantemente ao colocá-lo em campo. Estava o Coritiba ganhando apertado, mas mantinha a posse de bola e de vez em quando atacava, podendo a qualquer momento decidir o jogo com outro gol. Entrou o Júnior Urso e o que inconscientemente muitos dos seus colegas devem ter pensado? Vamos tratar de segurar o jogo. Se o Júnior Urso entrou, é porque devemos nos defender. Deve ser isso que o técnico quer, devem ter pensado alguns. E para não deixar dúvida sobre quem é, logo que entrou tratou o Júnior Urso de perder bisonhamente uma bola na intermediária, obrigando-se a correr desesperadamente atrás do atacante para desarmá-lo dentro da área. Ouvi o Marquinhos Santos louvar esse desarme, se esquecendo de que o indigitado só tratou de corrigir o próprio erro. Se ele vai entrar no time porque tem o melhor preparo físico da equipe, como deu a entender o Marquinhos, então vamos tratar de buscar um triatleta, ou um corredor olímpico ou um grande nadador, que talvez dê no mesmo.
Pobre Urso, pobre do Coritiba.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (0)
Link copiado para a área de transferência