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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Notas sobre o atleTIBA e a mídia global.

Em face da atitude obscurantista da direção dos rubro-negros, não pude assistir ao atleTIBA de domingo, limitando-me a dele saber pelo que ouvi e li. Visualmente, consegui apenas uns rápidos “melhores momentos” da Gazeta do Povo online.

Por isso não vou analisar o jogo, pois se o fizesse seria baseado no que os outros disseram ou escreveram, limitando-me a apenas uma rápida abordagem sobre o que pude ver daquele vídeo. E me manifesto somente agora, pois entendi que os colegas colunistas que assistiram ao jogo deveriam ter precedência nas postagens.

A primeira observação que tirei do vídeo é no sentido de que o Pereira, em eu pese não o tenha visto durante todo o jogo, mas a conclusão decorre também das suas últimas apresentações, só pode ser mantido na equipe em situações de absoluta impossibilidade de contar com outro. Ele é, assim como foi o Zambiasi, o zagueiro que é um perigo nas duas áreas. Faz importantes gols para o seu time – não tiro seus méritos no aspecto – mas deixa que aconteçam tantos quantos fez ou mais ainda. O drible que levou do menino atleticano mostra que ele não tem condições físicas e técnicas para fazer frente a atacantes velozes e que trabalhem com a bola no chão. Devemos muito a ele pelo que já fez e foi, mas todos devem saber reconhecer suas limitações e definir a hora para começar a parar. No campeonato brasileiro, entendo que o Pereira não poderá jogar, salvo situação emergencial.

E a segunda observação é que estou com medo que o Deivid esteja se conduzindo para ser outro Aristizábal, que a cada dois ou três jogos ficava suspenso por expulsões provocadas por descontrole emocional, que no caso dele sempre suspeitei que fossem propositais, pois tinha um belíssimo salário, recebeu a maior parte por antecipação e estava louco para voltar ao seu país. Mas e o Deivid, que segundo foi noticiado tem um salário fixo e outro conforme o número de partidas das quais participar? Não acredito que seja pouco inteligente a este ponto. Ainda mais que, conforme ele mesmo expôs, seu histórico registra raríssimas expulsões. O que há?

Por fim, quanto ao lance entre o goleiro deles e o Gil, mesmo que limitada minha apreciação ao vídeo, mas o vi repetidas vezes, a conclusão que tiro das imagens é a de que o goleiro adversário foi para a disputa no mínimo com brutal imprudência e o lance foi faltoso e deveria ter resultado em penalidade máxima. Revejam o vídeo e confiram que, ao se aproximar do Gil, o goleiro pula com os dois pés pelo alto em direção ao nosso jogador. Será que, como naquele momento o jogo estava 2 x 0 e tudo parecia encaminhar uma goleada o árbitro sofreu influência inconsciente no sentido de atenuar o massacre que até ali parecia que viria? A propósito, o lance me lembrou de um parecido, embora muito mais grave, que quase tirou a vida do Kruger, quando o goleiro do então Água Verde, cujo nome não lembro (aliás, dos medíocres costumamos não nos lembrar o nome) se lançou também com as duas pernas, só que contra o abdômen do adversário, rompendo as alças intestinais do Flecha Loira de modo a ser necessário leva-lo imediatamente para cirurgia com grande risco de morte. A velha guarda dos Coxanautas deve lembrar bem do drama.

Mas vamos à segunda parte do título da coluna.

A mídia brasileira em geral, que, quando dos acontecimentos do dia 06 de dezembro de 2009 (o dia mais triste da minha vida como torcedor) execrou unanimemente o Coritiba, com alguns falando que a pena que sofremos teria sido pequena, agora se divide com alguns menos lúcidos querendo ser compreensivos com a torcida do Corinthians. “Vejam bem, os milhões de torcedores não podem ser culpados pela ação de uma minoria ou de um”, etc. Ah, é? Mas para nós a ação de alguns poucos contaminava a torcida toda?

É, nada como um dia depois do outro. Interesses comerciais valem mais do que coerência.

A propósito. Que ninguém se deixe enganar pela “apresentação” do tal menor que assume o crime da Bolívia. Isso é prática comum no meio criminoso. Os líderes de gangues “intimam” um menor a assumir o delito, escolhendo algum com quase 18 anos de idade, de modo que, pelo nosso sistema “reeducacional” de menores (não posso dizer repressivo, não o é), se aplicada alguma medida será no máximo a de internação por alguns meses até completar a maioridade. Querem nos fazer de trouxas, Corinthians e Rede Globo?


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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