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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

“Não estou jogando nada”.



Encerrado meu período sabático, retorno ao convívio dos amigos.

E retorno encontrando o nosso Coritiba em fase igual à que viveu muitas vezes no início de muitas temporadas, em algumas sendo levado a um crescimento gradual e seguro, e em outras mostrando que o time é e será aquele mesmo do início do ano, deixando-se enganar pelo fraco campeonato estadual.

Lembro que em 2011 o time começou sem entusiasmar a torcida e até o jogo contra o Ypiranga de Erexim, aqui no RGS, pouco mostrou. Porém, logo a seguir entrou em fase crescente, ganhando o campeonato estadual de forma invicta, conquistando a maior série de vitórias entre todos os clubes do mundo, sendo vice-campeão da Copa do Brasil - que perdeu apenas por detalhes sobre os quais eu e outros aqui já muito falamos – e chegando perto de classificação para a Copa Libertadores da América, conquista desperdiçada em face de uma até hoje inexplicável apatia da equipe no último jogo.

Da mesma forma, sem entusiasmar foi o início de 2012, quando perdemos o primeiro turno do fraco campeonato paranaense, embora o conquistássemos ao final, mas dessa vez não houve crescimento e a equipe esteve longe de ser aquela que em 2011 que despertava confiança no torcedor. Perdemos o título de uma Copa do Brasil das mais fáceis da história (o campeão em seguida foi rebaixado), parte por causa de uma arbitragem dolosa e parte por falta de imposição nossa, e fizemos péssima campanha no campeonato nacional, escapando do rebaixamento por pouco.

E este ano, em que começamos novamente sem entusiasmar em face do futebol até agora apresentado, repetiremos 2012 ou teremos um 2011 melhorado?

Aposto na segunda hipótese, desde que haja um pouco de paciência e uma leitura correta do que a equipe vem apresentando e da qualidade – ou falta de - de alguns dos seus integrantes. Contratamos bem, dentro de nossas possibilidades, ainda temos dois excelentes zagueiros por entrar no time – Emerson e Leandro – e um meia que talvez aqui mostre o que não mostrou no Flamengo (o que em princípio não o deprecia, pois muitos craques não conseguem se dar bem no rubro-negro legítimo). Temos jogadores que ainda poderão crescer, alguns da base vêm aparecendo bem, enfim, o elenco, para o padrão financeiro do Coritiba está bem montado, embora a limitação evidente de alguns atletas (abrir aqui uma relação poderia levar a um interminável debate, o que fica para outra vez, já que neste aspecto as opiniões são díspares).

E temos o Alex. Seu retorno, quando ainda podendo logo recuperar as condições físicas para jogar bem, foi uma grande conquista do clube.

Mas, amigos, embora toda a bola que o Alex tem, ele não é milagreiro e uma andorinha só não faz o verão. Sem boas companhias dificilmente terá sucesso. Não será ao lado do Robinho, que acredita piamente que é melhor do que é, ou do Lincoln que parece está enjoado de jogar futebol e só de vez em quando o faz com prazer, que o Alex despontará. Espero que a comissão técnica esteja vendo isso e não se impressione com o “marketing” ou “nome” de alguns, tratando de encontrar no elenco quem efetivamente possa ajudar o Alex a armar o jogo.

Aliás, por falar do cotejo entre as qualidades do Robinho e do Lincoln com as do Alex, o noticiário de hoje mostra outra marcante diferença entre eles. Enquanto os dois primeiros, quando jogam mal – o que não é raro – culpam o estado do gramado, a chuva, o calor, ou seja lá o que for, o Alex declarou “Não estou jogando nada” (ParanáOnline) ou “Ainda não joguei nada do que posso” (Gazeta do Povo online). Conhecer a si mesmo, ter a exata dimensão do que está fazendo e do que pode fazer, manter humildade quando não está bem e não tentar transferir a responsabilidade a outros ou a fatos alheios, é sinal de hombridade, e rendo minhas homenagens ao Alex pela postura.

Para finalizar, mudando de assunto, se puder chegar aos olhos ou ouvidos do Deivid, gostaria de dar a ele um conselho: Não volte para “buscar” o jogo, não é a tua especialidade, pelo contrário. Trate de ficar rondando a área do adversário que uma ou outra hora a bola chegará para que faça o gol. O Alex está aí para colocar a bola para você. Enfim, fique na tua que terá sucesso.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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