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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Mão dolorida e outros temas.


O menino chega da escola com o olho roxo e explica aos pais que recebeu um soco de um colega. O pai – como quase todo homem faria, pois seu orgulho resta ferido pela agressão sofrida pelo filho – pergunta ao menino se ele deixou por isso ou se reagiu.

Ao que o menino respondeu:

- Não, mas precisava ver como a mão dele ficou dolorida...

Estorinha boba, mas da qual me lembrei ontem ao ouvir entrevista do técnico Marcelo Oliveira a uma das emissoras de rádio de Curitiba:

- Vocês precisavam ver o que o Abel me disse ao final do jogo contra o Fluminense: vocês marcam muito bem, foi muito difícil ganhar.

- E o Cuca - prossegue a entrevista – me deu parabéns e disse que o jogo contra o Coritiba foi o mais difícil do campeonato para eles.

- E hoje, finalizou, o Tite me cumprimentou, pois foi muito difícil para o Corinthians nos vencer.

O que dizer ante tal argumento? Estamos mal, sim, mas não é assim para nos vencer, ora. Perdemos mas damos trabalho... Apanhamos mas o adversário sai dolorido...

Alegações que seriam válidas para um Mirassol da vida ao perder por apenas 1 x 0 para o Vasco da Gama em São Januário. Para o Coritiba é como na estorinha do menino que apanhou do colega.

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Ontem, em face das festividades do Dia dos Pais, não pude ver todo o jogo, mas apenas a partir do final da primeira etapa. Dediquei-me, o que já vinha planejando e ontem dada a falta de graça da partida foi possível, a observar mais de perto o Júnior Urso. É um bravo, um lutador, mas infelizmente está no clube errado, cujas tradições são muito superiores ao que apresenta. Fiz uma contagem, ou um “scout” como dizem os comentaristas refinados, durante algum tempo do jogo e em tal lapso observei o Júnior Urso desarmar nove vezes os adversários, mas no mesmo espaço de tempo entregar a bola doze vezes para os oponentes em erros de passes ou divididas perdidas. Veio-me à memória o Márcio Egídio, titularíssimo com o vetusto Antônio Lopes, ambos protagonistas da péssima campanha que nos rebaixou em 2005 e nos manteve na série B no ano seguinte. Tomara que não passe daí a coincidência.

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O Popini se antecipou a mim na estranheza que manifestou com o retorno, aos poucos, da torcida organizada IAV com forma e figura nas nossas arquibancadas. E antes que seja mal entendido, jamais me passou que não possam e não devam seus integrantes comparecer aos jogos. De modo algum, mas devem fazê-lo essencialmente como torcedores do Coritiba. E realmente, como afirma o Popini, no mínimo caberia uma explicação pública para os associados sobre o reacolhimento do grupo.

Houve um termo de ajustamento de conduta? Seus integrantes passaram a pagar mensalidades ao clube e não só para a “organização”? Comprometeram-se a comprar materiais esportivos do Coritiba e não só os da própria? Não vão mais, como vi aqui em Porto Alegre quando de jogo contra o Internacional, “intimar” torcedores que colocaram bandeiras do Coritiba para que as retirem para dar lugar à sua faixa? Enfim, vão torcer essencialmente para o Coritiba e secundariamente para a organização? Quando necessário protestar vão fazê-lo dentro dos limites da civilidade? Nas vitórias vão cantar o hino do Coritiba? Qual o fato novo que teria permitido a reabilitação? Vão voltar sem os privilégios que tinham antes do fatídico dia 09 de dezembro de 2009?

Se as respostas às primeiras perguntas forem positivas e à última negativa, que sejam bem vindos e venham para somar. O Coritiba precisa de todos os seus torcedores, ainda mais na hora difícil pela qual está passando. Aguardo como associado fiel e adimplente, as respostas.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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