Lembranças. 100 anos.
Não esqueço o primeiro jogo a que meu pai me levou, em 1955, vitória nossa contra o Ferroviário. Das minhas lembranças infantis não tenho recordações exatas sobre o jogo. Lembro apenas do meu deslumbramento em ir pela primeira vez a um estádio de futebol e que vencemos (parece que o placar foi 2 x 0 ou 2 X 1). Algum tempo depois ganhei dele e da minha também saudosa mãe, de presente de aniversário, a minha primeira camiseta do Coritiba. Mesmo que não saiba a data exata do evento, é certo que, como eu comecei a torcer pelo Coritiba a partir daquele jogo, estou então completando sessenta anos como coritibano no mesmo ano em que o meu pai seria centenário. Isso, e não duvido que sim, se eu já não nasci com seus genes alviverdes.
Lembrando que nesta data se daria o centenário de nascimento do meu pai, já havia pensado em escrever uma coluna na qual parte dela seria em homenagem a ele. Esperava assim fazer após uma vitória do Coritiba, o qual eu imaginava que seria encontrado em posição minimamente honrosa na tabela de classificação, para que o fato pudesse ser um presente de aniversário.
Mas lamento, pai. No dia do seu centenário o Coritiba não tem nenhum presente para dar e também eu não saberia o que dizer sobre o nosso clube, pois qualquer coisa que dissesse enfearia o texto e você não mereceria uma redação dura de um torcedor revoltado. Daí que preferi me limitar à homenagem, já que falar sobre o estado atual do clube não passaria de repetição do conteúdo de tantos outros textos meus e de amigos que me honram com a companhia neste espaço. Resta-me dizer da saudade que você deixou e agradecer pela educação que me deu, inclusive quanto a torcer pelo Coritiba, aquele que você via altaneiro e vitorioso, e do qual se orgulhava, não o dos últimos anos e especialmente o atual.
Na foto, feita em 2005, meu pai, eu, meu filho e meu neto.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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