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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Inaceitável.



O Coritiba fez, contra o Vasco, uma de suas piores partidas dos últimos tempos no que se refere às individualidades. Começou parecendo que iria fazer um primor de jogo e derrotar o adversário com boa diferença de gols, mas a partir dos vinte minutos da primeira etapa começaram todos a jogar mal, tal como se cada um tivesse um botão “power” que foi desligado. Uma incalculável soma de passes errados e não menos incalculável soma de bolas perdidas em disputas individuais, parecendo que era uma equipe cujos integrantes jogavam juntos pela primeira vez, tamanho foi o desencontro. Sei que poderão dizer que nem todos se apresentaram tão mal assim. Concordo, um e outro não se apresentou “tão“ mal assim, mas a maioria se saiu “muito” mal e a soma geral foi de uma péssima apresentação da qual seria injusto destacar positivamente alguém a partir daquele momento do desligar do botão (antes alguns estavam bem).

Foi um dos jogos onde o menor culpado foi o técnico, ainda que insista em deixar o time com um jogador a menos quando faz entrar o Marcel. A entrada do Henrique foi lastimável, mas imagino que o Marquinhos jamais pensaria que pudesse se sair tão mal o lateral que, pelo que mostrou hoje, está anos-luz atrás do Denis. Se o seu futebol é esse que apresentou contra o Vasco, foi um desperdício a sua contratação. Ficou devendo muito.

E perdemos para um time de segunda linha, todo desfalcado e com jogadores jovens, alguns pela primeira vez na vida disputando uma partida profissional. E um time que está com o moral baixo em decorrência de uma incrível sequência de mais resultados. E um time com os salários atrasados há dois meses! (E o Coritiba, ao que consta paga religiosamente em dia). Embora o placar da derrota contra o Corinthians tenha sido humilhante, tenho que saímos mais humilhados desta vez em face da baixa qualificação e adversidades que o Vasco trouxe para Curitiba. Em tese seria uma presa fácil, mas quem o foi fomos nós.

Perdoem-me se estou sendo muito radical, mas não aguento mais tantas idas e vindas do Coritiba. Por alguns jogos parece que está nos trilhos, que o time é bom e que “agora vai” e trato de elogiar. Mas em seguida nos leva à depressão com “apresentações” como a de hoje e a do jogo contra o Corinthians, não havendo porque poupar a equipe. Futebol é momento, diz o batido jargão, e depois do jogo contra o Corinthians afirmei que o time do Coritiba não poderia ser “aquilo” que mostrara em São Paulo, supondo “o time não é ruim, está ruim”. Mas e o que dizer agora?

Espero que em um dos dois próximos jogos que restam consigamos o ponto que nos salvará do descenso e que o ano de 2012 termine de uma vez, entrando em 2013 com afastamento dos erros e encontro de soluções que levem a montar um time confiável e com postura para disputar títulos de envergadura. Não vou me entregar, mas quero que o Coritiba me ajude, faça a sua parte.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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