Apenas alívio, nada mais.
Reação lúcida para o ocorrido neste ano jamais pode ser de comemoração, como vi em alguns. O único sentimento que se justifica é o de alívio.
Tudo bem que chegamos à última rodada em melhor condição de que todos os passíveis de rebaixamento. Mas isso é satisfatório? Talvez, se olharmos para dois meses atrás, quando poucos acreditavam que escaparíamos –eu mesmo estava entre os descrentes – alguns possam dizer que houve avanço. Porém, lucidamente nada há comemorar, apenas soltar um suspiro de alívio e desejar que a direção do clube, que assumiu na esteira de grandes promessas de campanha, tenha aprendido com os erros, tanto para não mais cometê-los como para agir com pensamento de clube grande que busque ser protagonista.
Não há mais desculpas e tolerância para tantos erros. A torcida atendeu ao apelo da direção e em grande parte antecipou a anuidade de 2016. As verbas da televisão que não ingressaram nos cofres do clube este ano em razão de antecipação que a anterior direção teria obtido, agora serão integrais. Alguns dos jogadores que vieram para o clube apenas em razão do “nome”, mas que nem mesmo como “medalhões” podem ser considerados – “medalhinhas” isso sim – terão seus contratos findos em 31 de dezembro e não devem nem sequer ser objeto de qualquer tentativa de renovação. Outros, se não têm o contrato por findar, devem ser negociados mesmo que com baixo ganho. Do elenco atual, e a opinião é unânime no geral, com algumas divergências apenas pontuais, poucos, muito poucos mesmo, podem seguir no clube.
E aqui ingresso no que considero a razão que há muito vem fazendo com que o Coritiba faça más contratações. Quem faz as escolhas? Os que montaram o elenco deste ano, e mesmo os dos últimos anos – exceto 2011 – sejam dirigentes, administradores contratados ou ex-jogadores que atuam como olheiros, seguramente não acertaram e se continuarem não acertarão. Aí está o ponto nevrálgico. Saber escolher. Basta uma olhada para os elencos de outros clubes que melhor se classificaram para ver que souberam montar bons times com raros grandes nomes e contratações retumbantes. Muitas equipes, dando como exemplo em uma ponta o Grêmio e em outra a Chapecoense, com pouco dinheiro conseguiram encontrar bons jogadores, certamente indicados e escolhidos por quem conhece bem futebol e sabe ver o potencial de cada atleta e sua afinidade para o grupo.
Enfim, que a direção faça uma reflexão e, agora que sofreu na carne com os erros praticados e está depurada dos maus companheiros, com calma, através de quem sabe escolher, sem precipitações e contratações retumbantes de gladiadores et alii, com os olhos voltados republicanamente para o clube e com os pés no chão, monte um time que devolva aos coritibanos o orgulho que há muito não conseguem expressar.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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