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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Ainda o atletiba. E uma coincidência.

Vivo o futebol e acompanho o Coritiba há mais de cinquenta anos (quase sessenta, na verdade). O decurso do tempo e as emoções vividas em todos esses anos não conseguiram me deixar insensível e nem muito racional quando se trata do meu time e menos ainda quando de atletibas.

Desta vez não foi diferente. Frente à tela, na noite calorenta em Curitiba e molhada e fria em Porto Alegre, assisti a um atletiba espetacular e emocionante, que sem dúvida marcará a história dos clássicos.

Primeiro aspecto a exaltar foi a beleza da apresentação da torcida, que atendeu aos apelos do clube e quase lotou as dependências destinadas ao mandante. Ver as arquibancadas, em especial a do anel da entrada, coloridas de verde e branco é emocionante. E esse predomínio das cores verde e branca (nossa camisa foi escolhida como a segunda mais bonita do Brasil, veja aqui) fica mais marcante quando em contraste com as do rival. No meu entender o melhor contraste entre camisas do futebol brasileiro.

Aliás, para os verdadeiros coritibanos e atleticanos não pode haver jogo mais bonito e mais emocionante do que o atletiba, para nós o maior clássico do futebol brasileiro. A história dos atletibas registra alguns jogos tecnicamente ruins, mas jamais algum sem emoção.

E nesse de domingo não faltou técnica e nem emoção em todos os sentidos – gols feitos, gols perdidos, lances duvidosos não assinalados – e emoção especial foi ver o gol e a comemoração do Negueba. Sim, amigos, o Negueba, que nem sempre joga bem, mas que com o que fez no último atletiba ficará na história do clássico. O Negueba talvez esteja dentre uns poucos jogadores que podem trazer de volta ao futebol a alegria há muito abandonada pelas atitudes ditas “politicamente corretas” e pelo sistema de jogo onde predominam a marcação e os volantes são tidos como craques. O futebol se tornou um esporte onde o personalismo fica em segundo plano em relação ao coletivo, e isso é acertado, afinal futebol é praticado em equipe. Mas mesmo assim, o personalismo deve sempre aparecer aqui e ali para colocar “tempero” nos jogos. Quem não viu ou pelo menos assistiu a alguns filmes ou leu sobre o Garrincha? E quem, dentre os da minha geração, esquece as peraltices do nosso Miltinho na forma de jogar e de comemorar, especialmente em atletibas. E o Zé Roberto? E o Lela? Esses personagens são essenciais para que o futebol seja mesmo a alegria do povo. E neste rol, embora ainda sem as conquistas dos citados, se inseriu o Negueba.


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Uma palavrinha final, aparentemente deslocada do contexto, mas nem tanto.

Os amigos leitores repararam que o time do Coritiba evoluiu a partir do afastamento dos “indomáveis” da direção? Coincidências talvez digam. Alguém – não lembro quem - já disse que as coincidências às vezes são soluções que a vida encontra para mudar o rumo da história.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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