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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

A estratégia do falso modesto.

Empatamos com o Corinthians, campeão do mundo, da América, brasileiro e incontáveis vezes paulista e forte candidato ao título de campeão deste ano. Empatamos com um dos dois times mais queridos da mídia global. Empatamos com o time que teria a segunda maior torcida do país, em que pese seguramente seja o mais desprezado entre as demais. Empatamos contra o time dirigido pelo falso simpático e ainda mais falso modesto, mas competente Tite.

Um resultado normal, considerada a força do adversário e as circunstâncias do jogo. Infelizmente o resultado não nos serviu muito em razão da nossa má constante posição na tabela de classificação, mas não fosse isso nada teríamos a reclamar, até porque alcançamos o empate no que os comunicadores chamam de “apagar das luzes”.

O time foi razoavelmente bem, com destaques para as novidades Juninho e Evandro, um lance decisivo do inconstante Negueba e destaque negativo, mais uma vez, do João Paulo. Aliás, se o Evandro está sendo chamado de “Iluminado” por ter feito gols decisivos em poucos minutos que atuou em duas partidas, o João Paulo poderia ser denominado de “Mal Predestinado”, uma vez que o destino já o levou a tantas falhas decisivas – ou azar, às vezes, conceda-se – como no gol que propiciou o empate no atletiba e no de ontem quando colocou o pé na bola de forma atabalhoada e indevida.

Mas, a despeito de o resultado poder ser considerado normal – e se poderia dizer que perder para o São Paulo na capital paulista e para o Fluminense no Rio também seria “normal” – isso não nos basta para conseguir um alívio na classificação do campeonato e o afastamento de uma vez do risco de rebaixamento (chega de ir até as últimas rodadas sofrendo).

Já que nosso time é limitado e quando parece que vai engrenar em algum setor o nosso atuante (?) departamento médico é chamado, o que precisamos é de resultados anormais. Sim, anormais, ou seja, vencer fora de casa, resultado que há muitos anos é uma raridade em nosso currículo, e vencer em casa tanto os adversários vencíveis como os teoricamente invencíveis.

Já tivemos resultados anormais – derrotas para o Flamengo (na ocasião um time ainda incipiente) e Avaí e empates com o Joinville(!) e a Ponte Preta, todos em casa – em nosso desfavor, e espero que agora seja a hora de o destino propiciar que as anormalidades também venham em nosso socorro.

A esta altura do campeonato, já não importa tanto se as vitórias serão convincentes e se vamos encantar a torcida e os comentaristas com bom futebol. Importa é ganhar, vindo à lembrança de quem viveu aqueles tempos o espírito do Ênio Andrade, quando em 1985 preparava o time – que individualmente não era nenhuma Brastemp - para vencer aos jogos pelo placar mínimo, sem dar show, mas vencia. E tendo presente o adversário de ontem, uma lição poderia ser aproveitada da estratégia do meloso (mas competente, repito) Tite. Não tomar gol, vencer por um que seja, mas vencer.

É o que precisamos. É muito? Talvez. Mas também talvez seja pouco e não parece haver outro caminho.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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