Uma revolução nos espera!
Sete jogos, quatro dentro de casa, dois agora, na sequência. O primeiro neste domingo, e depois, em uma semana, outra partida também em casa. Mais importante que tudo isso, é o momento que vive o clube e não só os jogos que tem pela frente para se garantir na primeira divisão.
Não gosto e acho chata esta conversa de “números mágicos”. Tudo é suposição e conversa mole. Ninguém pode garantir absolutamente nada. É só suposição e tema para encher linguiça de jornalismo sem matéria. A melhor prova disso foi o Fluminense naquela absurda campanha de 2009, quando os matemáticos apontavam o clube com 99% de chance de queda.
Mais uma vez a promoção de ingressos deve atrair um bom público ao Couto. Dependendo do pacote, o ingresso pode chagar a custar 20 reais. Nunca esteve tão barato como agora. O preço do ingresso veio caindo, conforme a qualidade do futebol jogado em campo. Mais umas dez ou quinze rodadas, quem sabe o preço não chegue a 5, 4 ou até a 3 reais.
A piada pode ser sem graça, mas é resultado do respeito que perdeu este time, os dirigentes e comissão técnica. Nunca vi, em todos os meus mais de 50 anos de Coritiba, a torcida tão desmotivada, tão desacreditada de um time montado, remontado e costurado e que não consegue se acertar. Além do respeito perdido, parece ter ido junto a esperança de mudança. Em tempos de Vilsão e Gionédes, por exemplo, se via no mínimo puxão de orelhas, virada de mesa, revolta e inconformismo com a situação.
Agora não, o time vive quem sabe sua pior crise técnica em mais de 100 anos de história e o presidente e diretores parecem viver num mundo de fantasia, admitindo salários atrasados, responsabilizando a torcida pelo fracasso, e nada fazendo para resolver isso antes do primeiro jogo decisivo que é o de domingo, contra o São Paulo.
Enquanto isso, o recém chegado Alceni que de Guerra não tem nada - velha raposa da política nacional, com histórico nada recomendável - chega como tapa buraco para o G5. Chega falando em reforma do Couto ou construção de novo estádio. Uma conversa clássica de político que usa claramente estes temas para desviar atenção dos menos avisados. Comportamento muito visto na politica tradicional. Quando neste momento o que precisa é outra coisa. É trabalhar em obras que pouco aparecem, mas que darão sustentação e base ao clube. Alceni chega propondo obras faraônicas, espetaculosas, que tirem atenção do problema maior. De preferência coloque seu próprio nome em evidência. Além do mais, usa o cargo para projeção pessoal. Repete o comportamento da política brasileira.
O Coritiba não vive apenas sua pior crise técnica. Vive como o país, uma crise moral e ética. Não é momento para falar sobre isso? Concordo, mas quando tivemos esta oportunidade, eles fizeram de conta que também não era o momento não nos dando ouvidos. Então, antes que saiam, abandonem o barco e nos deixem falando sozinhos, deixa eu continuar com meu desabafo:
Vieram empurrando com a barriga e trouxeram o clube até aqui, e vão nos devolver neste estado lamentável. Com um amontoado de problemas, um time despencando para segunda divisão, desmotivado, com empregados sem receber salários... um time em fim de linha, sem muita saída, sem saber direito para onde correr ( funcionários e nós torcedores).
O torcedor mais apaixonado quem sabe não entenda, mas no fundo acabo até torcendo para que esta encrenca se resolva logo, e antes do final do brasileiro, o Coritiba já esteja com sua vida definida, sabendo que será um dos 20 que vai disputar a segunda divisão do ano que vem. Só assim teremos tempo para ainda reclamar na orelha desta gente que anda judiando da torcida que de gloriosa passou a ser reconhecida como sofredora.
Nada muda a partir de uma vitória domingo. Nada muda com uma vitória em cima do Figueirense. O Coritiba apenas alcançará 39 pontos. Estará mais perto de fugir da segunda divisão, mas usarão isso para encobrir os velhos problemas que já passaram da hora de serem resolvidos.
O Coritiba precisa de uma revolução que mude seu rumo. Pensar nisso, pensar num clube mais moderno, pensar num Coritiba de fato grande e ainda na primeira divisão, será mais confortável, sem dúvida. O dinheiro entrará com mais facilidade e a pressão some. Independente de divisão, se primeira ou segunda, o Coritiba precisa virar o seu jogo da política interna. E isso é pra já. Não há mais tempo para conversas e nem espaço para esta gente amadora, interessada em projeção pessoal.
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Ps. O conteúdo acima não é novidade pra ninguém. Quem acompanha o clube sabe disso. Apenas volto ao tema pra não deixar o assunto cair no esquecimento. Precisamos mudar o Coritiba.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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