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ArquibancadaSergio Brandão

Um vice campeonato injusto

O Coritiba foi longe demais neste Regional. Se tivesse ficado pelo meio do caminho, teria sido mais justo.

De qualquer forma, chegamos a uma final e lá se foi outro título para outra prateleira. Cada um deles conta uma história. As circunstâncias é que guardam suas particularidades. Este de 2018, é particularmente dolorido, apenas porque perder uma final em atletiba, acaba mesmo tendo um peso a mais.

Um amigo dizia ao final da partida: jogamos como time pequeno. Retruquei somando à opinião dele que pequenos fomos o campeonato todo. Disse ele, e com razão: mas as circunstâncias de hoje foram especiais.

Claro, estávamos diante de uma final, contra o maior rival, na casa dele, com uma pequena vantagem no placar agregado. Mais uma vez não tivemos competência como na maioria das vezes este ano, jogamos da mesma forma. Daquele jeito que todos aqui estão cansados de saber.

Além de pequenos, vimos os mesmos problemas de sempre. Um time desorganizado, sem força ofensiva, sem criação, errando fundamentos. Decidimos o título do estadual, jogando principalmente um segundo tempo como nas inesquecíveis partidas contra o Prudentópolis, contra o Foz, Cascavel, Maringá, Paraná Clube, onde nos colocaram na roda e mais uma vez passamos vergonha, agora como disse o amigo citado acima, em circunstância especial, porque era uma decisão.

“Não querendo reclamar da falta de tempo de treinar, mas já reclamando”, foi a pérola de hoje de Sandro Forner, após o jogo, se referindo ao time novo que terá para montar para o Brasileiro.

Já disse aqui que estas repetidas coletivas que nos cansam, assim como nossos textos aqui, cheios de lamentos e reclamações, precisam ter um outro tom.

Sandro também se referiu a estreia do Coritiba no Brasileiro, já no próximo sábado lembrando que pelo menos cinco novos jogadores foram trazidos para reforçar seu elenco. Além do “pouco tempo que disse ter para avaliar tudo isso”, ainda lembrou que o problema não depende só dele. Os atletas ainda precisam ser avaliados pelos fisiologistas do clube.

Oras, se estão aí a pelo menos uma semana, isso para falar do último que chegou, o atacante Bruno Moraes, imagino que já tivesse sido avaliado, assim como os que chegaram antes. Aliás, sempre imaginei que fosse este o procedimento de praxe antes das contratações e o treinador deveria ser o primeiro a ser informado sobre a condição de cada um.

Mas esta e outras respostas de Sandro, que colecionei desde o inicio do regional, me dão uma certeza: o Coritiba virou a casa da “mãe joana”. Não são apenas os meninos da base que estão estreando no futebol profissional. Nossa comissão técnica também, assim como nossos dirigentes que demostram com tudo isso que vejo, não conseguirem sequer dar um passo à frente, sem que consigam o mínimo de planejamento.

Me convenço cada vez mais de uma frase que citei recentemente, numa das colunas aqui publicadas, muito usada por Nelson Rodrigues. Dizia ele que no futebol também é preciso contar com a sorte. No caso do Coritiba, contamos só com ela. Prova disso foi esta final de campeonato que caiu em nosso colo, como um presente a quem não merecia. Pior que isso, ainda é a soma de tudo isso que andamos colecionando nestes anos todos.

Senhores, apertem os cintos, o ano só está começando.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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