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ArquibancadaSergio Brandão

Um velho conhecido adversário está de volta

Fui covarde. Desliguei a tv logo aos 3 minutos de jogo, antes do primeiro gol. Não sei se por intuição, ou pelo que vem jogando o Coritiba nestas últimas 4 rodadas ou quem sabe até pelos meus longos anos de Couto Pereira.

Aquele começo de partida foi suficiente pra me dizer algo além do que o time vinha fazendo até finalmente ( mais uma vez ) queimar a gordurinha que tinha feito, como fez há meses quando também teve uma situação mais cômoda dentro da classificação da série B. A sexta-feira tinha ares de mais um dia daqueles que você topa falar sobre qualquer assunto, menos sobre futebol. Principalmente depois dos 90 minutos de Coritiba x Cruzeiro.

Deitado, navegando pelo celular, as redes sociais me anunciam o segundo gol do Cruzeiro. Me acovardei ainda mais a esta altura já temendo por uma goleada. A minha intuição estava certa. Hoje, sábado (9), ainda não vi nada sobre a partida... e não vou ver. Saber do resultado me basta.

Por tudo isso, não há muito o que dizer. Primeiro porque não vi o jogo. Depois porque a esta altura, avaliar a qualidade do elenco ou atuação individual, é chover no molhado. Machuca o resultado desastroso para as pretensões de quem até agora sonhava com mais um título da serie B. Sim, eu sei, ainda é possível. Alguns são um pouco exagerados nesta questão, mas que pela enésima vez dizem que não botam mais fé no acesso e quem vão deixar de lado o apoio ao time. Pensando bem, o comportamento faz sentido se a gente levar em conta o histórico do clube nos últimos anos. Não precisa de muito para predominar a intolerância com estas situações que de fato já cansaram mesmo.

Disse em algumas oportunidades, depois das recentes partidas difíceis e sofridas, mas com resultados positivos, que o Coritiba vinha contando com a sorte que há anos esteve afastada do alto da Glória. O Coritiba estava com a sorte de campeão, disse em algumas colunas publicadas aqui. Muitas vezes fomos salvos por ela. Ontem nos deu uma lição. Disse claramente que sozinha não fará milagres. O time precisa fazer a sua parte. Coisa que não faz e vem deixando a desejar. Nem que seja com o mínimo de qualidade, o suficiente para cumprir sua missão nesta fraca série B. "Comer o alambrado", como disse certa vez o saudoso Follador, foi o que faltou ou anda faltando ao time recentemente.

Se antes era quase certa a nossa briga pelo título, agora já é possível admitir que se conseguir se segurar entre os quatro primeiros colocados, estará de bom tamanho.

A partir de agora, a perna vai tremer, o excesso de respeito pelo adversário será exagerado e a aproximação do segundo, terceiro e quatro colocados -hoje bem mais próximos- exercem uma situação que o Coritiba nunca soube lidar. Mantemos uma máxima incorporada à vida de todo Coxa -Branca, e que volta a ser mais um adversário a partir de agora: vencer a pressão. Resta saber se a sorte também estará por lá para fazer o contrapeso.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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