Logo COXAnautas

Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Um pacote que (não) vem do céu

Assim como Alex, que chegou de helicóptero, como grande contratação naquele ano de 2012, depois de anos, ou nunca na vida Coxa - alguém com tanto nome assim, foi recebido no Couto com tanta festa, como a que fizeram para Alex quando voltou.

Só mesmo no Coritiba aquilo seria possível. Revelar ao mundo do futebol um craque, vender para consumo interno a um preço bem acessível, para depois ganhar o mundo, fazer parte das constelações que o futebol brasileiro revelou, e só ao final dos seus dias, com a bola ainda sob controle dos pés, encerrar a carreira aqui no clube que o revelou.

Foi muito bom. Foi um marco na história do Coritiba, que na época vivia com a auto-estima em baixa. Entre as muitas façanhas de Vilson Ribeiro de Andrade, sem dúvida a vinda de Alex foi uma delas.

Aos gritos de o “capitão voltou”, o namoro não deu certo porque junto surgiram problemas sérios de relacionamento entre o Vilson com o próprio Alex.

Naquele dia da chegada de Alex, que veio do céu, embarcado num helicóptero ali no Barigui, o Couto via pela primeira vez uma grande festa de recepção, preparada para receber um ídolo. Os três anéis da entrada do estádio, se encheram das cores do clube para recepcionar o “menino de ouro”. Festa digna dos grandes clubes quando anunciam a contratação de um grande craque.

Para ser otimista, dá pra classificar que a volta de Alex ao Coritiba, foi bastante turbulenta. Não por culpa de Alex, mas as expectativas não se confirmaram.

O time dado a Alex não estava à altura do menino de ouro que aqui encerrou sua carreira ainda jogando muita bola, mas o Coritiba não. Nem dentro e nem fora de campo. Mesmo assim, Alex encerrou sua carreira por cima. Apesar de tudo, com o clube mal administrado, ainda na primeira divisão. E Alex praticamente carregou o time nas costas, enquanto conseguiu.

Vão os dedos ficam os anéis. Foi Alex e voltou Vilson que mesmo tendo um segundo mandato desastroso, hoje ressurge como salvador da pátria para alguns. Nem contra e nem a favor. Muito pelo contrário. Torço pelo Coritiba, pelo seu sucesso.

Numa clara barganha feita na famosa e recente votação que colocou água na fervura que votou o impeachment de Samir, Vilson reaparece, ainda que timidamente, mais uma vez para tentar apagar um grande incêndio.

Se repetir suas ações do primeiro mandato, teremos mais uma vez, o retorno de um time de futebol para torcer.

Logo saberemos: se Vilson inventar helicóptero para a qualidade dos atletas que Samir e Pastana insinuam, estamos roubados.

É do profissionalismo, é da visão estratégica de Vilson, que o Coritiba precisa. Sem as pompas, holofotes e a vaidade que Vilson vai ter que administrar. A dele e dos demais comandados.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (26)
Link copiado para a área de transferência