Um craque cidadão
Contra o Cruzeiro, não pude ir ao Couto. Precisei ficar em casa com minha filha e assistir o jogo pela televisão. Antes lembrei que ainda não tinha usado uma camisa que comprei há um ano. A comemorativa dos 50 anos de Krueger. Puxei da gaveta e pra minha surpresa ainda preserva o cheiro de roupa nova. Pensei comigo, é com esta que vou! Hoje é com ela!
Tenho uma gratidão muito grande com Krueger. Aos meus 14 anos, perdi um irmão para o câncer. Ele tinha 12 anos. Luiz Fernando foi um dos maiores torcedores do Coritiba que conheci. O Coritba era tudo pra aquele menino. Sofria, visceralmente... na derrota ou na vitória. Foram três anos de luta contra a doença.
O destino colocou em nossas vidas uma prima que por acaso descobriu que trabalhava na mesma rua que Krueger. Época do futebol romântico, quando era jogado com amor e por quem tinha muito talento. Por isso, a sobrevivência precisava ser garantida com uma outra profissão. Krueger foi ourives, trabalhava numa relojoaria, na rua São Francisco, quase esquina com a Riachuelo.
Maria Tereza, minha prima, se aproxima do craque da 8 e faz uma amizade que sobrevive até hoje.
Krueger passou a visitar Luiz Fernando no hospital ou em casa com alguma frequência. Em casa quando Luiz Fernando esboçava alguma melhora ou no hospital quando em crise. Krueger sempre estava lá.
Kruguer ainda nos deu de presente seus companheiros. Kosilek, Célio, Hermes, Pescuma, Passarinho, Berto, Nilo... que formavam uma legião de craques no Hospital ou em casa, em visitas que nestes três anos acabaram se tornando rotina. Foi um remédio que certamente prolongou um pouco mais a vida daquele pequeno Coxa-Branca. Em dia de visita em casa, o portão ficava cheio de amigos, também torcedores Coxa, querendo ver de perto o craque. No hospital, o quarto de Luiz Fernando era o mais disputado em dia de visita de Krueger e seus companheiros.
Até hoje mantemos algum contato com Kruger, seja por telefone ou até recentemente quando no dia das mães carinhosamente ia até em casa, entregar flores pra minha mãe.
Por isso, o craque da 8 dos anos 60 e 70, foi muito mais que um jogador de futebol para nós. Ainda é. Dirceu Krueger ajudou a formar uma família que se por tradição já era Coxa, ficou ainda mais, mas agora também por gratidão.
Até o final deste brasileiro, estarei com a 8 que Krueger vestiu durante anos. Quem sabe toda aquela energia possa encarnar no espírito deste time, nesta sequência difícil que temos daqui pra frente neste brasileiro.
Coisa de torcedor.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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