Um amigo que não quer saber de nós
Como bom Coxa-Branca que sou, não consegui segurar o pensamento que imediatamente me levou a algumas cenas envolvendo o nosso time nesta relação com o gol.
Levei algum tempo até que os pensamentos se acalmassem. Tentei lembrar do último gol que comemoramos. Falo de comemoração de verdade, gol de vitória... gol , ou gols que tenham nos levado a um resultado decente.
Não vale o gol de Carlinhos contra o Atlético MG e nem os da derrota contra o América MG. Acabei ficando com o gol de Kazim, contra o Atlético PR.
O melhor amigo do torcedor, o gol, anda mesmo passando longe de querer selar uma amizade mais seria ou algo mais intenso com a torcida Coxa.
Impossível chorar estes momentos sem responsabilizar uma turma que se adonou do clube e todos os dias, todo santo dia, consegue a proeza de nos brindar com absurdos, às vezes até dois ou três, como hoje.
Falam e fazem três ou duas grandes bobagens por dia. Se superam sempre. Agora é a conversa do estádio novo, a mais nova obsessão, de Alceni Guerra. Também hoje tivemos a punição imposta a Juan e a volta do goleiro Élisson, ao Cruzeiro, como também a confirmação da contratação de Berola. É o que nos dão em dois dias, em menos de 24 horas, uma arsenal de bobagens e de novas trapalhadas.
Enquanto esteve aqui Élisson manteve sua forma, para quando o Cruzeiro precisasse, ele voltar correndo para casa. Agora emprestamos nosso CT a estes times. Era só o que faltava. Não sabem fazer negócio e perderam Élisson, atendendo uma necessidade do Cruzeiro que ordenou que o atleta voltasse a servir a raposa. Simples assim. Sem que o Coritiba pudesse dizer alguma coisa ou ser consultado sobre o tema.
Quanto ao Estádio, diria que é até engraçado falar sobre isso, pra não dizer absurdo e triste. Me parece tão lógico e claro o que queremos, mas somos solenemente ignorados pelos dirigentes.
Este sentimento de tristeza, cada vez mais forte, parece ser só da torcida e não de quem dá as ordens. Parece que não conseguem entender que nosso maior patrimônio é a nossa história que só pode ser escrita e contada jogando bola, com vitórias e títulos. Um estádio novo? Sim, mas depois de um time que nos represente dignamente. Que tenhamos orgulho de entrar em nossa casa e saber que ali dentro teremos os bravos guerreiros que historicamente tivemos.
Mexer no Couto Pereira e não consultar a torcida, e apenas o conselho, é no mínimo uma falta de respeito. Demolir o Couto é pra mim coisa inimaginável.
O bom e velho Couto precisa sim de reforma, de muita reforma. É um estádio velho, com muitos problemas. Mas ali está uma história que precisa se respeitada e não demolida.
É preciso um projeto especial que preserve isso tudo, é preciso um projeto de TOMBAMENTO. Aquilo é patrimônio histórico da cidade de Curitiba e do Coritiba. É um estádio como poucos do país, de propriedade particular, construído em cima de uma história de mais de 100 anos. Isso não pode se perder numa demolição. Exige um projeto pra lá de especial, mas antes queremos time para nos orgulhar dele e da casa nova depois.
Uma coisa e depois a outra. Esta ordem precisa ser obedecida. Esta inversão será mais uma pisada de bola que esta diretoria vai dar e a cada dia se candidata como a pior gestão que o Coritiba teve em toda a sua história.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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