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ArquibancadaSergio Brandão

Tubarão e seu lamento de sempre

A psicologia deve ter alguma classificação pera esta síndrome que faz sofrer o Londrina - seus torcedores e atletas. Não é possível tanta choradeira.

Mesmo antes da partida da semifinal com o Coritiba, o treinador Claudio Tencati, em nome do clube e da torcida, reclama da arbitragem, como reclamaram ano passado, retrasado, e até agora na fase anterior, contra o Maringá.

Deve ser algo cultural, algum recalque por ser a segunda cidade do Estado e não a primeira- coisa que por algum tempo até acharam que era. Ou quem sabe seja pela proximidade com o Estado de São Paulo- fator que sempre determinou o interesse pelo futebol de lá, e não pelo daqui. Quem sabe porque tenha sido colonizada por mineiros e paulistas? Não sei...

O fato é que durante o ano, torcem pelos times de São Paulo, mas se chegam a andar no Paranaense, e chegam onde chegaram, então o interesse muda. Agora, se não ganham, arrumam um culpado e a arbitragem é sempre a eleita. Coisa de moleque sem talento, dono da bola brincando de futebol com os amiguinhos.

Há anos sabemos que a arbitragem no Brasil é muito mais incompetente do que mal intencionada. Há anos estas histórias foram banidas, principalmente quando o futebol é pequeno, como aqui em nosso Estado.

Me digam, lucidamente, de onde uma articulação de bastidores seria tramada para não deixar o Londrina ser finalista do Paranaense? Não somos tão importantes quanto imaginamos, seu Tencati. Nem nós nem vocês.

Sempre choraram sem razão. Como agora, reclamam pelo que ainda não aconteceu, e se buscar na história dos confrontos entre capital e interior, os erros de arbitragem são os de sempre contra todos, não é uma exclusividade londrinense.

Saudades dos tempos de tubarão, quando foram grandes e não souberam valorizar isto, justamente em tempos que a arbitragem também era outra, sempre muito mais perigosa e tendenciosa que agora.

Temo o Lodnrina pelo seu futebol, pela tradição dos confrontos com o Coritiba. Nem de longe me preocupa a arbitragem, como deveria fazer seu treinador Tencati.

Isto já é uma antecipação de incitamento aos menos avisados. Caso o resultado não seja o esperado, já é possível prever reações da torcida. Tá certo que é uma arma de pressão usual no futebol, mas também pode ser tiro no pé. Qualquer erro da arbitragem, coloca em risco o segurança dos 15 mil torcedores (público estimado para esta partida), também dos atletas e comissão técnica no gramado.

Acho irresponsável este tipo de atitude. Nos dias de hoje, é preciso medir palavras quando o tema envolve público e paixão. Gente esclarecida como o treinador do Londrina, deveria saber disso.

Que tenhamos apenas uma boa partida de futebol neste domingo.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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