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ArquibancadaSergio Brandão

Torcedor, este sujeito teimoso

Qual a importância do Coritiba na sua vida? Em que nível a relação te envolve? Que necessidade você tem de ir aos jogos ou de acompanhar o time onde quer que ele esteja?

Quando era moleque, o Coxa era extremamente importante. Acordava e dormia pensando no Coritiba. Sonhava em poder participar daquilo de alguma forma. Acredito não ter sido muito diferente para a maioria.

Hoje, as circunstâncias colocaram o Coxa num plano abaixo, na minha escala de valores, mas ainda vivo. Sou capaz de eleger responsáveis pela ascensão e queda destes valores nesta minha escala. De Evangelino, Kruger, Passarinho, Kosilek a Becellar, Pedroso, Guerra, Macias, Gionedes, Cirino, entre tantos nomes.

Sou capaz de lembrar de outros e também responsabilizá-los pelo céu ou pelo inferno. Os que me deram o inferno, deveria denunciá-los, processá-los pelo estrago que promoveram, acabando com o meu e o sonho e de muitos garotos ou senhores.

"Exagero isso tudo" - dizem muitos por aqui. Geralmente são os que não sabem do que estou falando. São os que têm alguma dificuldade para interpretar o sentimento de uma criança que teve o futebol como prioridade por quase toda a sua vida. E o Coritiba como o melhor de todos, durante muitos anos.

Algumas das pessoas como as que me referi acima, não deveriam ter sido admitidas no futebol. O Futebol deveria ter sido inventado com uma maquininha que identificasse como um detector de incompetência, dos mal intencionados, para impedir que fizessem o estrago que já fizeram e continuam fazendo.

Agora, por conta destes caras, me pego refletindo durante a semana, se vou ou não aos jogos. Antes, a semana já começava com esta única certeza. Era a única coisa que sabia, antes de todas as outras, até diante das mais importantes, como respirar, comer, trabalhar e estudar. Importante mesmo era ver o Coritiba, fosse como fosse, bem ou mal. Se não estivesse bem, sabia que era passageiro.

Acabaram e continuam acabando com o meu e o sonho de muitos - crianças e adultos. Estão acabando com o melhor programa que tinha no fim de semana.

Ainda movido pelo hábito, quem sabe, neste domingo, estarei lá, mas já reflito se vou ou não.

Olho pra trás e vejo que muitos ficaram pelo caminho. Cancelaram planos de sócio e Premier. Entendo e lamento por isso. Porque na verdade, apesar deles, de alguns dos nomes citados acima, ainda temos a mística da instituição.

O nome Coritiba Foot Ball Club, ainda me arrepia, e é o que me move e me carrega ao Couto, pra não pensar e sofrer no que me espera naquele fim de semana, em mais uma rodada, seja pelo paranaense ou brasileiro.

Domingo ainda estarei lá. Agora para ver Coritiba x Botafogo, preservando o mesmo frio na barriga de sempre, mas já bastante anestesiado e acostumado com o pior. Este é o Coritiba que me oferecem hoje.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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