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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Torcedor, este bicho estranho

Não sei se somos a torcida mais impaciente, mas com certeza também a mais tolerante, ou pelo menos uma das mais tolerantes. Sim, porque basta uma rodada um pouco mais convincente, com um resultado favorável, que os elogios aparecem. Na verdade estamos mesmo muito carentes, precisando de um agrado, de algo que nos dê motivos para festejar e acreditar que é possível ser feliz com este time.

O título, ser chamado de torcedor, nos dá o direito de ser volúvel e navegar conforme os fatos vão nos guiando. Mesmo que alguns se camuflem em argumentos mais sólidos, as opiniões variadas do torcedor são aceitáveis e precisam ser respeitadas, apenas porque ganha o titulo de torcedor. Ser torcedor de futebol é sofrer, é ir do céu ao inferno em menos de três ou quatro dias. Ultimamente fato muito comum na vida Coxa-Branca. Mas podemos ser assim. Afinal, o espetáculo é pra nós, e isso nos dá o direito de aceitar... aplaudir ou reclamar.

Somos volúveis, sim. Ficamos chatos, irritados com o que vimos por exemplo na segunda-feira, contra o Sport, mas felizes quando trazemos pra casa um resultado como este de quinta-feira, contra o Avai. Ter o time do coração como motivo de gozação, ser zoado no trabalho, nas redes sociais, em casa, por parentes e amigos, nos irrita. Acaba com o dia de muitos, tira o sono.

Em menos de três dias Pachequinho foi de santo a demônio. Pra justificar uma fase ruim (Deus queira tenha ficado para trás), a maioria reclamava da teimosia do treinador, mas que finalmente acabou abrindo mão de um esquema tático que não vinha dando certo, para aplicar um estranho 4 -2-3-1 , que aparentemente funcionou.

Outros dizem que Pacheco teve mais sorte que juízo, sendo obrigado a trocar Iago Dias por Neto Berola, logo no começo da partida. Também Carleto na esquerda, que não estava nos planos, foi bem. Como poderia ter ido mal, como Iago já tinha ido bem em outra oportunidade, como Tomas Bastos também fez uns gols milagrosos, mas os dois, em pouco tempo voltaram ao ostracismo. Do céu ao inferno, para deixar o torcedor maluco e irritado, algumas vezes não entendendo o que acontece.


Quando não acerta, o treinador é sempre o primeiro a receber a artilharia vinda da arquibancada. Escalou mal, posicionou mal alguns atletas, não treina jogadas, é burro, teimoso etc e tal.

De fato, viver o dia a dia do futebol profissionalmente é uma coisa. Bem diferente de dar palpites de fora, buscando soluções.

Vai saber por que Pacheco insistia com H. Almeida e Kleber batendo cabeça lá na frente, coisa que muitos sempre reclamaram. Somente Pacheco parecia não ver. Viu, mudou, com sorte ou não, a vitória com 4 gols contra o Avai, pode dar impulso novo ao time. Impulso que o próprio Avai não teve ao vencer o Grêmio e que contra o Coritiba podia ter saído da ZR. Vai explicar... vai entender estes segredos do futebol. Mas torcedor não que saber de segredos. Quer é vitórias. Não tente explicar muita teoria, problemas internos, fase técnica, problemas pessoais, circunstâncias, falta de dinheiro para contratar etc.
Torcedor quer ver seu time brigando lá na frente.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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