Tá tudo errado!
Desencantado o atacante Ortega festeja seu primeiro gol com a camisa do Coritiba. É verdade que meio sem jeito, meio desengonçado, mas colocou mesmo de canela a bola lá dentro, num momento que a torcida já vaiava e depois do gol passou a apoiar, mas que também logo em seguida voltou a vaiar porque tomou o terceiro e o quarto. Um deles, nem lembro qual, numa grotesca falha de Vinicius e Dodô. Mas isso também não interessa.
Como também não interessa o público pequeno na Vila Capanema. Como não interessa que mais temos problemas do que soluções. E os problemas pipocam todos dias, porque lá dentro estão pessoas eleitas para resolvê-los, mas que infelizmente não conseguem, porque estão preocupadas com outros problemas ainda maiores, como os financeiros, por exemplo. Mas isso também não interessa.
Tudo isso não interessa porque “estamos fazendo um Coritiba do futuro, um Coritiba para amanhã. Estamos pensando no Coritiba de daqui há alguns anos”. Esta foi a frase patética deixada na coletiva de imprensa, ontem, depois da derrota de 4 x 3 para a Chapecoense.
No primeiro momento não acreditei que alguém com o cargo de vice-presidente, pudesse dizer tamanha asneira. José Fernando Macedo, foi no mínimo desleixado em num momento como o de ontem, achar e dizer que um clube de futebol, depois de sucessivas derrotas, com anos amargando derrotas, e tomando de 4 da Chapecoense, dentro de casa, ainda consiga pensar em futuro. Macedo foi tão cruel nas suas declarações que contestou inclusive o placar agregado de 5 x 0 na decisão do regional. Disse ele que não foi 5, mas 3, como se nisso houvesse mérito ou se com 3 a dor de perder mais um título dentro de casa seria menor.
Minha gente, o buraco é bem mais embaixo. O problema é muito maior do que podemos supor. De fato não resolveremos nossos problemas com a saída de Kleina, não teremos solução se esta diretoria não reconhecer suas limitações e não contratar um presidente remunerado, um administrador de empresas. Isso para tentar amenizar o problema agora.
Pensar num Coritiba para o futuro, como disse Macedo, só quando as eleições chegarem. Por enquanto precisamos eleger prioridades, mas de comum acordo com a torcida, se possível.
Esta queda de braço entre diretoria e torcida, precisa encontrar um consenso já. Se um lado diz não ter dinheiro e prefere afundar o clube tecnicamente, com contratações bisonhas, que não se justificam , deve haver um meio termo para agradar a todos e nem afundar o clube e nem onerar os cofres do Coritiba, ainda mais. Mas não. Ouvem a palavra torcida e já se arrepiam. Tratam torcedor como um bichinho que da arquibancada não pode passar.
A teimosia de um lado, o lado dos dirigentes, vem irritando ainda mais a sofrida torcida. A arrogância de vocês que sequer sabem dos caminhos do submundo do futebol, afasta ainda mais o torcedor de perto. Coisa que deveria apenas privilegiar o Coritiba. Se é que existe interesse numa conversa, senhores dirigentes.
As decisões equivocadas, que até agora não mostram saneamento da dívida do clube, até parece ser o contrário. Um rombo que a cada dia fica maior ainda. Pelo menos é o que mostram as últimas contratações.
Temos a impressão de estar jogando dinheiro fora, desde que o ano começou. Aliás, desde o ano passado estamos praticamente com o mesmo time e as coisas parecem cada vez piores. A cada reforço, uma nova expectativa e na sequência nova frustração.
Muitas vezes os reforços são piores do que tínhamos antes. Pra não ser muito exigente, podemos citar apenas alguns jogadores baratos, que foram embora, em troca de Gil por J. Paulo, ou Jr Urso, por exemplo. Um servindo ao Galo e outro a Chapecoense. Os dois por sinal muito bem onde estão. Porque não deram certo no Coritiba? E nem eram tão caro assim. Ou seus salários eram infinitamente maiores que o de J. Paulo e Alan Santos?
A torcida está cansada de fazer de conta que “agora a coisa vai”. Cansou esta brincadeira de faz de conta.
Ou vocês nos apresentam um time de futebol minimamente decente, ou vão acabar ficando sozinhos, e mais adiante serão vencidos pelo cansaço. Só não nos entreguem o comando com o clube em vias de dissolvição. E também não vale a apelação emocional de “a torcida nos abandonou”. A torcida cansou, isso sim. Não subestimem a nossa inteligência.
Há muito tempo usamos este espaço para lamentações. Fazemos deste site um muro das lamentações. Faz tempo que não comemoramos nada. Também faz tempo que ouço o discurso do estamos trabalhando responsavelmente para resolver nossos problemas financeiros. Não sei se perceberam, mas estamos falando de futebol, de torcida, de paixão, de confrontos, de adversários, de matar um leão todos os dias.
Sem resultados, com o clube sem sócios, sem torcida, e com suas dívidas sanadas? Vocês não administram uma igreja, um convento, ou um banco, senhores. Vocês administram um clube de futebol.
Virem-se ou saiam daí e entreguem o comando a alguém capaz de resolver os outros problemas, além dos financeiros. São mais de 100 anos de história para voltar no tempo dos 500 réis? Os senhores são de outro tempo ou de outro planeta.
Precisamos, queremos e exigimos time de FUTEBOL! Quanto isso custa? Vocês já deveriam saber deste preço quando se propuseram ao trabalho que se prestam.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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