Sorte, meninos!
Isso me lembra o maior estrategista que o Coritiba teve como treinador, Elba de Pádua Lima, o Tim, que mudava um jogo no intervalo. Guardadas as devidas proporções e mal comparando. Mais abaixo quem sabe consiga me explicar melhor sobre esta comparação.
Vi e ouvi muitas vezes isto, que "Tim era o cara que mudava um jogo no vestiário". Talvez tenha sido o momento mais determinante de minha vida no futebol. Porque era criança, não entendia destas coisas direito, mas ficava muito atento a comentários de rádio e dos adultos que me levavam ao campo - meu pai, tios e primos mais velhos. Fui ouvindo e aprendendo que “Tim era capaz de virar um jogo no vestiário”, diziam eles. De que forma? Mudando o time, reorganizando as peças, às vezes com uma ou duas substituições. Tim via coisas que os mortais não viam. Não sei se Sandro tem esta capacidade. Também não sei das suas conversas com seus atletas, mas sei porque me disse que usa muito isso, a conversa de intervalo para mudar uma história.
Se Sandro Forner ainda não é um Tim, pelo menos parece ter uma das qualidades dele, que é saber tirar proveito do intervalo, quando necessário, com conversas que gosta de ter com seus atletas. Aliás, uma conversa diferenciada, porque é um trabalho de anos com uma categoria de jogadores que precisa de uma atenção especial, que são os meninos em começo de carreira.
De Tim a Edú Coimbra, que certa vez, numa conversa na lateral do gramado, me disse que às vezes, com um time como aquele que tinha em 89, não precisava de treinador. Com Osvaldo, Serginho, Carlos Alberto e Tostão; Kazu e Chicão na frente, tinha ele o papel muito mais de psicólogo do que de técnico.
Do estrategista Tim ao psicologo Edú, aposto na esperteza de Sandro Forner que de bobo não tem nada. Espero que seja a bola da vez, que com sua experiência na base, de trabalho de longos anos com garotos, seja ele o cara que vai acertar tudo isso e fazer, com mais algum tempo, e nossa paciência, fazer este time jogar o suficiente para nos dar as alegrias que queremos e precisamos.
Serginho Prestes, em sua entrevista à TV COXAnautas, em sua última edição que está no ar, lembrou bem que é neste momento que se tem os atletas que serão de fato profissionais daqui pra frente. São os que correspondem, tremem ou não. Os que sabem se impor e estarão seguros para seguir uma carreira profissional. Que vão olhar para o banco, depois de uma falha, e saber que tem o apoio do treinador.
Alguns já disseram que sim, que estão prontos. Caso de Thalisson Kelven e Yan Sasse. O resto certamente será testado aos poucos por Sandro Forner, no decorrer do campeonato.
Não se trata de passar a responsabilidade para ninguém. Assume quem quer, ninguém tem obrigação de nada, mas parece que mais uma vez a torcida esta sendo chamada a colaborar, em pelo menos não cobrar da piazada que começa este Paranaense. Para muitos sei que é um fardo e a paciência não tolera mais nenhuma espera.
Eu estarei aguardando com muita ansiedade e paciência tudo que se fala desde novembro, quando começou o processo sucessório no Coritiba. Parece não haver outra alternativa, a não ser esperar e torcer por isso. Se não for assim, ficamos como cachorro bravo na coleira, latindo e sem sucesso.
Fico na torcida pelo sucesso de Samir e seu G5, de Sandro e toda a garotada, que ao lado de alguns experientes, como Wilson, Kleber, Alecsandro, João Paulo e W. Matheus, defendem a partir deste domingo, as nossas cores em mais um Campeonato Paranaense.
Sob a luz de Tim, da competência de Edu Coimbra e iluminados por alguns craques que ajudaram a construir a nossa centenária história vitoriosa, reencontremos o nosso caminho de sucesso.
Sorte, meninos! Tamo junto!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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