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ArquibancadaSergio Brandão

Somos todos Chape !

Não sei como, mas me sinto provavelmente também como vocês, obrigado a fazer algo, não conseguindo deixar o assunto apenas em um parágrafo, como fiz no texto anterior, que publiquei ainda hoje cedo, no calor da notícia.

O tema não me sai da cabeça. Me dói , como em muitos... absurdamente. Quem sabe devesse esperar mais um dia para dizer algo, mas a intuição me diz que devo entrar nesta história agora.

Abri o computador, sem saber direito que caminho tomar, o que exatamente escrever. Não consigo achar nada que se compare a esta tragédia, nada que conforte estas famílias, que diminua o sofrimento desta gente, de uma cidade inteira. Nada será maior que isso. Nada é mais importante para todos eles do que a perda de seus familiares.

E nada deve ser maior também para nós também, que o sofrimento desta gente, neste momento. Por várias razões. Mas principalmente porque somos irmãos de alguma forma, porque escolhemos o futebol como ponte que nos une, porque temos em comum uma paixão. E também porque acima do futebol ainda está, ou deve estar a solidariedade. Um sentimento humano que anda se perdendo. Quem sabe seja um bom momento para resgatá-lo.

Mesmo que não houvesse nada disso, ainda assim, seria momento para parar tudo e pensar no tamanho de tudo isso.

Não há o reconhecimento do Atlético Nacional da Colômbia, com a Chapecoense sendo declarada a legítimo campeã da Sul – Americana. Não será suficiente a sugestão do Grêmio, do São Paulo, de ceder atletas para a Chape disputar o brasileiro de 2017. Não há comoção nacional, não há luto oficial declarado por autoridades , não basta o envolvimento do mundo com esta tragédia. Nada diminue a dor e o estado de choque que a morte destes atletas causa em todos nós e principalmente em seus familiares e torcedores.

Ainda estes dias publiquei aqui um texto sobre minha torcida pela Chape, nesta final de Sul- Americana. Terminei dizendo que eu seria “Chape desde criancinha”, me colocando como seu torcedor nesta final, que seria disputada honrosamente em nossa casa, no Couto Pereira.

A sugestão não é minha. É do meu amigo Osni Bermudes Filho, que propõe ao dirigentes Coxas, uma homenagem especial no dia, na hora em que a partida entre Chapecoense x A. Nacional seria realizada no Couto, dia 7 de dezembro .

Com luzes no centro do gramado, iluminando o emblema da Chape que poderia estar no circulo central. Uma homenagem bonita que certamente colocaria o Coritiba como nosso representante neste momento de homenagem. Num sentimento que seguramente é de todos nós Coxas e de todos os torcedores.

Vou um pouco mais longe: sugiro que no mesmo momento seja celebrada uma missa ecumênica, no centro do gramado, convidando todos os torcedores de Curitiba. Coxas, atleticanos e paranistas. Todos misturados.

Numa demonstração de solidariedade e união de forças por uma cidade, juntos por uma causa que também nos comove.

Força, Chape!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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