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ArquibancadaSergio Brandão

Sociedade bem anônima

Quando a gente pedia o mínimo de dignidade neste final de brasileiro, era pra cair de pé, de não terminar na última colocação, somar o maior número de pontos para entregar algo um pouco melhor do que fizeram, para deixar o torcedor ainda envolvido, de cabeça erguida. Mesmo que a esta altura, com a autoestima em baixa, porque a gente ainda achaVA que 2024 seria melhor. A esta altura, nem esta certeza tenho mais.

Mesmo que eu admita que a SAF era inevitável, parece que erramos a mão na escolha. Não, não se trata de arrependimento de ter votado pelo SIM no referendo dos sócios pela SAF. Ainda acho que a forma de Sociedade Anônima foi a única salvação do Coritiba, mas o grupo escolhido parece não ter nenhuma identidade com o clube e torcida. Pior, não fazem força para isso.

Decidimos ter filho sem casamento, mas erramos na escolha do pai. Até que prove contrário, a SAF ainda não acertou em nada. Embora digam que não, mas estão no comando há mais tempo do que admitem e, em todas as ações colecionam junto com o Conselho da Associação, tropeços atrás de tropeços.

Da demissão de Guto ao seu retorno, há exatos 12 meses. Ou seja, há um ano sem que tenham tido sequer acertado uma só vez. Como não levaram o torcedor em conta, e nem levarão, não acredito que tenhamos algum peso em decisões futuras, mesmo sendo maioria.

O apoio de mais de 90% recebido no começo, já não existe mais. Para não pontuar os erros, olhando genericamente, o grande pecado passa por duas questões que considero as mais importantes: a relação com o torcedor, o principal consumidor do produto que precisam vender, e a falta de profissionalismo no comando do produto do Coritiba Foot Ball Club que é o futebol.

O planejamento para 2024 é muito tímido para um calendário que começa mês que vem, precisamente daqui a um mês e meio. Além de Guto no comando técnico, temos mais dispensas e possibilidade de quebra de contrato do que anúncio de reforços, para a remontagem do elenco. Parece não terem entendido que o problema do Coritiba não é o da média do futebol brasileiro. Trata-se de um clube rebaixado, cujo elenco é fraco tecnicamente e a lista de dispensa é pelo menos três vezes maior do que anunciaram até aqui.

O problema se agrava quando os primeiros movimentos indicam a necessidade de montagem de um novo time, ainda sem Marcelino Moreno, Sebastian, Bruno Gomes e Slimani, que deveriam estar entre os poucos que deveriam ficar. Confirmadas estas informações, um mês e meio é pouco para reposição. O ano acaba junto com todo o time, sem sequer ter uma espinha dorsal para o ano que vem.

Desde o decreto do rebaixamento na rodada de derrota para o Fluminense, empatamos com o Botafogo, numa partida que só valeu pela história do resultado nos 90 minutos, mas sucumbimos diante do Bragantino numa melancólica derrota, numa apatia de dar dó, sem que ninguém tenha se salvado, com exceção do Morisco, aliás, a grata e única boa notícia de 2023.

Voltamos a nos postar de joelhos e seguindo para a derradeira rodada precisando de uma maca que nos leve ao divã do analista, que terá papel fundamental para nos devolver a autoestima, para nos dar algum motivo para seguir envolvido com a instituição.


Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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