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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Sabino

Nos anos 50, 60 e 70, Fedato, Nico e Bequinha. Mais recentemente, Gomes, Vika, Heraldo, Pereira, Vavá, Emerson, para falar de poucos, mas zagueiros que marcaram história no Coritiba.

Atletas que além de conseguirem competir em alto nível, foram de uma regularidade impressionante durante anos. Numa época onde o futebol se fartava de atletas do mesmo nível ou até melhores. Foi num período que a vida era outra e o futebol também. Principalmente nestes anos dourados do futebol em 60 e 70. Antes disso, nos anos 50, o futebol ainda conquistava espaço como o melhor programa das tardes de domingo das famílias brasileiras.

Se firmou e ganhou corações, formou torcedores mais adiante - nos anos 60 e 70. Período que o país produziu craques que o mundo inteiro reverenciou.

Por isso, Zé Roberto, Krueger, Kosilek, Passarainho, Lucas, Leocádio, Fito, Hélio Pires, Nilo, por exemplo, não chegaram à Seleção Brasileira. Era muita gente boa para pouco espaço.

Os anos se passaram e o futebol foi perdendo a capacidade de produzir estes talentos por razões já exaustivamente discutidas.Mas o sangue do futebolista brasileiro ainda vive. Na na torcida e na produção de alguns raros talentos. Muitos deles, ou a maioria, tomando o caminho do futebol dos dólares petrodolares e dos euros.

Por aqui ainda restam talentos que nos dão as alegrias nestas tardes de domingo e das noites de quarta-feira, mesmo em tempos de pandemia, onde já não podemos ver tudo isso de perto, sentados numa molhada ou gelada arquibancada.

A saudades disso tudo é tão grande que hoje já abro mão do conforto da poltrona de casa para voltar a sentar nas arquibancadas do Couto.

Hoje com o Sabino tomando lugar dos nomes citados acima. O nosso homem gol, o artilheiro da temporada. O mesmo zagueiro que também tira a bola quase de dentro quando Wilson já está batido.

Os mais exigentes dirão que não faz mais que a obrigação. Está lá para isso mesmo. Sim, mas não estamos falando de Fedato, Nico, Bequinha, Heraldo, Gomes Vika etc. O nome em questão é Sabino, zagueiro Coxa, dos anos 2000. Sobrevivente de um futebol chamado decadente, desprezado no Santos e que no Coritiba encontrou sua glória. E neste momento, isso basta para que os olhos cresçam em cima de nosso zageiro-artilheiro.

Sabino parece ter identidade não só com o Coritiba, mas com a torcida. Ao final da partida contra o Sport, saiu enaltecendo o grupo, o conjunto, mesmo tendo sido o homem do jogo por várias razões como o principal jogador em campo, não só contra o Sport, mas nas recentes partidas do Coritiba.

Do alto da sua humildade, parece conseguir manter a cabeça no lugar e manter a regularidade, mesmo que os elogios exagerados já o apontem como atleta de Seleção Brasileira.

O pobre futebol brasileiro que sobrevive graças a talentos como o de Sabino, ainda tenta se entender como lidar com o surgimento inesperado de jogadores assim.
E é preciso aprender rápido, para não estragar estes nomes que surgem raramente em nossos clubes.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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