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ArquibancadaSergio Brandão

Quando até o goleiro cansa de esperar

O futebol é mestre em pregar peças, mas o que aconteceu neste sábado em Cianorte, pela primeira partida do mata-mata das quartas de final do Campeonato Regional, supera a fronteira do curioso. Valeu por largar na frente, vencendo o time do norte por 1 a 0, para resolver em casa a passagem para a semifinal, mas a vitória escancara um problema crônico no Coritiba: o autor do gol: Pedro Rangel. O goleiro.

Não foi um gol de falta no último minuto à la Rogério Ceni, nem uma cabeçada desesperada em um escanteio aos 50 do segundo tempo. Foi num tiro de meta. Um chute que percorreu os 100 metros do gramado para escancarar uma ferida que o torcedor Coxa tenta estancar há mais de um ano: a absurda falta de um artilheiro.

Viramos um laboratório de experiências ofensivas que não dão liga. Passaram por aqui, nomes com currículos até respeitáveis, jogadores que marcaram a passagem em outros clubes, mas que aqui pedem licença para entrar na área adversária. Uns passaram de forma apagada e outros demonstraram um esforço muito tímido, insuficiente para quem precisa de gols para sobreviver.

A seca é tão severa que a artilharia do time em 2025 ficou distribuída entre meias e lampejos isolados, enquanto os especialistas da posição viviam jejuns de cinco ou seis jogos. Quando o gol da vitória nasce de um chute de área a área, o alívio do resultado vem acompanhado de um incômodo soco no estômago. É a prova de que, se o gol não sai por competência do ataque, ele precisa ser gerado pelo absurdo.

O gol de Rangel é histórico, é um "gol de placa" por sua raridade. Futebol se ganha com equilíbrio, e um time que depende de um milagre de seu goleiro reserva para vencer um jogo truncado, ainda está longe de encontrar o seu rumo. O torcedor quer comemorar o gol, mas prefere que ele venha de quem é pago para chutar para frente, e não de quem tem a missão de evitar que a bola entre no outro lado.

A falta de um camisa 9 é tão grande, que hoje já estamos disputando duas competições e ainda não achamos no mercado o nosso 9. Vamos chegar a 10 jogos disputados e ainda não temos um centroavante.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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