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ArquibancadaSergio Brandão

Pela única causa que é o Coritiba

Não conheço Samir Namur além dos contatos que tivemos nas gravações pela Tv.

Não acredito em incompetência e muito menos em má intenção, como alguns sugerem por aí, principalmente nas redes sociais. De bobo ele não tem nada. Não entrou nesta história pra se dar mal. Não foi de inocente, como foi Bacellar. Sabia onde estava se metendo. Sabia da encrenca que estava pegando.

O problema está em suas convicções, aliás, convicções muito equivocadas. Mas são as convicções dele. O problema é que dizem respeito a mais de um milhão de torcedores.

Havia um planejamento feito em campanha e está sendo seguido fielmente. E é aí que mora o problema. Acho que falta entender que este planejamento está fracassando, ou que no mínimo precisa de ajustes, com a maior urgência possível. A teimosia precisa ser vencida.

Não sendo feito isso, imagino que coloca em risco o futuro do clube. Este rumo quase obsessivo da nova administração, sem admitir correções... é onde está o nó.

Porque não dá pra entender a tolerância com a qualidade sofrível, de um futebol quase primitivo, da idade da pedra, em troca da saúde financeira do clube. Finanças se discute internamente. Ao torcedor é preciso apresentar resultados. Assim sempre foi no futebol e não vai mudar porque o Samir Namur decidiu que a partir de agora isso será diferente.

Pra levar ao pé da letra, é preciso dizer que Samir vai terminar sua administração de 3 anos e o Coritiba ainda estará até o pescoço de dívidas. Apenas vai respirar sem aparelhos. O preço que está sendo pago é muito alto, chegando a níveis humilhantes para muito torcedor. Há por ai, Coxa- Branca com vergonha de sair pela rua com a camisa do time.

De um lado é preciso parar com esta conversa de associar o Coritiba com a vida politica de Samir e outras acusações levianas e bobas que fazem dele e que em nada contribuem. Imagino que todos queremos o mesmo, que é um Coritiba forte e bem melhor do que temos tido. E não será perdendo tempo com bobagens que ajudamos.

Todas as lúcidas contribuições precisam ser respeitadas e levadas em conta pelos atuais dirigentes, sem devaneios, paixões, melindres e vaidades.

O momento exige maturidade, se possível sem que este se transforme em diversão, como se transformou para alguns. Se possível, sem tumultuar o que já está tumultuado. Sob pena de mais adiante termos um clube de fato em vias de extinção.

Não tenho procuração de ninguém, mas não é preciso ser muito esperto para perceber que o momento é delicado, onde não cabem piadinhas ou palpites inflamados, preocupados com defesas de questões pessoais, onde ainda prevalece a política, deixando em segundo plano o futebol, a principal razão de ser do Coritiba, com há anos é. Estamos como cachorro correndo em volta do próprio rabo.

Ao presidente eleito, parece que cabe perceber que a grande maioria está insatisfeita. É preciso encontrar um meio termo. Um caminho onde prioritariamente esteja o futebol do Coritiba FOOT Ball Club.

Será difícil administrar sozinho, com a grande maioria insatisfeita. A história conta que não há resistência que vença a vontade popular. Samir foi colocado pelo voto de torcedores e a eles deve satisfação. Não há resistência principalmente quando o que está em jogo é a paixão.

Quem sabe um encontro mensal com torcedores, com a proposta de debate de algumas questões não seja um bom começo? Não os cafés matinais onde o torcedor é convidado a apenas ouvir, ganhar um agrado, onde se sente prestigiado numa promoção de marketing. Estou falando de encontro com lideranças, com notáveis do clube, onde se agregue. Em encontros com quem tem história dentro do Coritiba. Onde as armas fiquem do lado de fora. Onde prevaleça o bom senso em nome de um amor comum.

Inocente eu em achar que isso é possível? Pode ser.

A proposta pelo menos acompanha as práticas saudáveis da democracia, onde o Coritiba será o maior beneficiado.

Se você tem outra sugestão, faça uso do espaço abaixo e proponha. Quem sabe a gente consiga fazer com que isso chegue a quem precisa. Mas não esqueça, sem devaneios.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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