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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Pé no chão

Para a imprensa não há meio termo. Ou o céu ou o inferno. A terra, o meio do caminho, só para tratar dos assuntos inevitáveis e corriqueiros.

Pelo menos aos imparciais ou aos que garimpam informação, fatos, curiosidades, o Coritiba hoje é a bola da vez. Resta ao departamento de futebol, apagar este fogo, que neste momento pode mais atrapalhar do que ajudar. Se não entenderam, então vejam as manchetes nos dois principais sites de notícias. A Gazeta do Povo mancheteia: “Coritiba tem o ataque mais mortal do Brasil em 2016”. No Bem Paraná.com :“ Coritiba tem a melhor sequência de vitorias desde recorde mundial”.

Não há na história do futebol, time que não tenha sucumbido e terminado seus dias de glória com cobranças, e em alguns casos até desastres, muitas vezes traumáticos. O próprio Coritiba foi vítima de sua própria glória depois do sucesso de 2011.

Convenhamos, a hora ainda é de pé no chão. Passa longe de comemorar alguma coisa. Por enquanto temos um time mais certinho, que na média anda nos dando mais alegria do que aborrecimento, fazendo ainda nos lembrar de um passado recente nada feliz.

Não cabe aqui ainda nenhuma crítica ao departamento de futebol ou ao próprio elenco, que além de estar dando conta do recado, parece que ainda não subiu em salto alto. Como também tenho certeza que o atual departamento de futebol terá a sutileza de saber filtrar este tipo de informação e não deixar o elenco se contaminar pelo clima do “já ganhou”. Até porque, até agora não ganhou nada.

Temos ainda a provável decisão do paranaense, toda a Copa do Brasil e o Brasileiro, a principal competição do ano, onde temos um histórico abaixo do aceitável nos últimos anos. Desta vez temos apenas o indicativo que teremos um ano mais calmo. Só o indicativo.

Fazia tempo que um treinador não navegava em mares tão calmos. Mas sabemos das armadilhas do futebol e que a mudança dos ventos sempre acontece de uma hora para outra e transforma o que era alegria em sofrimento. Precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Acho sempre pertinente este tipo de alerta, porque o mundo do futebol parece mesmo muito diferente do mundo de outras modalidades esportivas, que sempre lidam com estas situações de forma mais profissional. A cabeça de um atleta de outra modalidade esportiva, é sempre mesmo muito diferente da cabeça do jogador de futebol, que parece mais vulnerável ao deslumbramento que outros atletas.

Foi difícil e quase impossível acreditar que este time, quase o mesmo do ano passado, pudesse chegar até aqui, com a qualidade do futebol que anda mostrando. Não será agora, que vamos nos perder e mais uma vez jogar tudo fora.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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