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ArquibancadaSergio Brandão

Os problemas do mundo sobre nossas cabeças

Fico aqui imaginando o conteúdo da conversa do Porfirio com o Manga na proposta de sacanear o Coritiba e se dar bem, ainda levando uma grana com isso. Claro, não vou reproduzir o que imaginei em respeito a todos . Porque é tema impróprio para torcedor Coxa- Branca, pelo menos neste momento quando o mundo parece desabar sobre nossas cabeças, prevalecendo a máxima de “nada está tão ruim que não possa piorar” e neste caso com requintes de crueldade porque indiscutivelmente, hoje, Manga é ou era? - nosso principal jogador.

Se você perguntar pra qualquer torcedor quem ele manteria no time, Manga estaria numa lista de três nomes ou com um pouco de otimismo, quem sabe o único.

Escrevo aqui ainda sem saber oficialmente qual a decisão dos novos administradores do clube sobre o caso, mas me parece não terem outra saída: Manga tá fora e desta vez com contrato rescindido, mesmo que ainda seja o único de uma lista que se somada com mais 10 outros atletas, possam nos salvar desta situação histórica que este grupo nos meteu.Manga não tem mais clima dentro do elenco e de herói passa a vilão/traidor que não honrou e não respeitou a camisa que vestiu.

O tema nos leva a uma série de conjecturas, mas para mim prevalece o sentimento de traição. De ter depositado em uma pessoa a admiração, a confiança e de ter visto nele a mesma vibração que vem da arquibancada, uma sintonia nas comemorações poucas vezes vista nesta relação entre torcida e atleta.

Mas Manga apenas confirma tudo que vi nestes meus anos de aproximação com o futebol. Na média, estes caras, especialmente no Brasil, são muito mal formados. Intelectual e profissionalmente. A culpa não é deles, mas de toda a sociedade que forma cidadãos nascidos para “se darem bem”, não importa se para isso seja necessário prejudicar alguém. Ainda vamos pagar um preço muito alto por isso, pela cultura social que alimentamos e pouco fazemos para mudar.

Imagino que daqui pra frente, o leitor mais afoito já deve estar metendo a boca em mim, deixando prevalecer o espirito torcedor, pensando ou até dizendo que cada um precisa pagar e assumir as consequências do que faz. Porque assim é esta nossa sociedade. Se é isso, você perde seu tempo. Não proponho um tratado sociológico. Proponho apenas a reflexão um pouco mais ampla deste momento do Coritiba. Não tenho a verdade e nem sei o caminho, mas sei que nosso problema é muito maior do que parece. Muito além do futebol e espero que o grupo da SAF também entenda assim. Acho que são duas prioridades: a primeira de tirar o Coritiba desta situação para fugir do rebaixamento enquanto é tempo. O segundo momento é planejar o futuro para aos poucos tirar o pé deste atoleiro que completa decadas de sofrimento.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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