O futebol mudou, o atletiba também
Mas parece que o atletiba ainda não morreu. Sobrevive, passa por um momento de mutação, quem sabe. Talvez seja mesmo a tendência dos campeonatos regionais. Num futuro muito próximo, vai servir para revelar as categorias de base, como tentou e não conseguiu o Atlético, em anos anteriores. Ou apenas será história para ser contada?
Nem nas arquibancadas as duas torcidas representam mais aquele calor que se via nos bons e velhos tempos. Coisa que tomava conta da cidade durante muitos dias, a semana inteira. Até quem não gostava de futebol sabia do clássico.
Torcidas e times não se acertam mais. Quando tem gol, não tem gente pra ver. Sem ídolo, sem bate-boca, sem torcida e ainda sem estádio. Como o atletiba de alguns anos trás que chegou a ser disputado na casa de um outro adversário (Vila Capanema), às 7 e meia da noite.
Sou do tempo que o frango assado do almoço de domingo, já vinha com sabor de atletiba. Atletiba era a sobremesa de domingo, não o jantar, como nos últimos anos.Era almoçar, escovar os dentes e todos os caminhos levavam ao Belfort Duarte ou ao Joaquim Américo, ou ainda no bom e velho Couto.
Você que nasceu na década 90, que ouve falar dos grandes clássicos, herdou o que há de melhor do futebol paranaense - que viveu seus momentos de glória nas décadas de 50, 60 e 70. A você, fica a responsabilidade de repassar a paixão por um atletiba daqui pra frente.
Atletiba de Kruger, Jairo, Sicupira, Nilson Borges, Passarinho, Claudio, Belini, Dirceu, Abatiá, Zé Roberto, Toinho, Ziquita, Nilo ...
É difícil engolir a falta ou a pouca emoção quando o assunto é atletiba. Acho que a falta de ídolos é um pouco responsável por isso. O último a jogar um atletiba, com sangue na veia, quem sabe tenha sido Alex. Claro, inesquecível também Bill e Tuta, nos jogos lá na casa deles, com gols memoráveis, lembrado pelo Ricardo Honório em sua coluna.
Jogar uma partida desta importância, era como representar o país numa guerra. Não sei se jogar um atletiba não é mais importante até que ser convocado para defender a seleção brasileira, nos dias de hoje.
Algumas vezes vi a verde e branca e a vermelha e preta saírem ensanguentadas depois dos 90 minutos. Tudo pelo calor da disputa.
O futebol mudou, o atletiba também. Mas era na rua onde tudo começava, e onde ainda se respira um pouco da magia do clássico, onde pode estar a redenção dele.
É onde pelo menos percebo mais o amor e a rivalidade. Onde já se viu um atletiba com pouco mais de 6 mil pessoas na arquibancada, como o do ano retrasado, disputado na casa do Paraná Clube? Não é o caso deste clássico de domingo, mas ainda passa longe dos públicos que lotavam o estádio do Coritiba, o único capaz de atender as necessidades da época, muitas vezes recebendo perto de 40 mil pessoas.
Hoje, os dirigentes espantam a torcida, oferecendo carga menor de ingresso, sem nenhum interesse que o adversário compareça à festa. Sinal dos tempos.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (3)
