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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O amor é lindo!

Os dirigentes parecem não levar em conta o fato que todo atleta que bate à sua porta - quando se apresenta para testes - que ali antes de tudo - está alguém que ama aquele clube. Pelo menos é o primeiro passo de todo menino, quando conhece um pouco de bola. Sonha em jogar no seu time do coração. Acima do sonho pela fama, está o prazer em defender seu clube do coração. Joga futebol com os amigos, no clube, na escola, pensando em ser atleta do clube que torce.

Certamente o futebol teria outro caminho se todos vingassem no clube que escolhem para torcer. Teríamos acima do profissionalismo, o amor destes atletas jogando pelo time do coração. Mas isso é coisa do futebol das décadas de 40, 50, 60, e quem sabe ainda tivemos alguns resquícios disso nos anos 70. Até este período, acho que muitos atletas conseguiram trabalhar com os dois: profissionalismo e amor pelo clube.

Mais na frente, anos depois, o futebol foi ficando cada vez mais profissional e o amor foi sumindo. O torcedor ficou sozinho nesta história. Hoje, só ele ama nesta relação. Agora, prevalece o dinheiro. O amor praticamente sumiu.
Hoje, muitos atletas são especialistas em declarar amor ao clube que defende, mesmo já tendo um rosário de clubes em uma lista interminável.

Muitos torcedores acreditam neste amor declarado. O início do romance é sempre uma festa com declaração de amor, como se fosse um sentimento irretocável e irreversível, algo avassalador. O cara chega no clube e de cara já sai dando o clássico beijo no escudo pregado na camisa. A cena ganha os jornais, a tv e pronto, está selado o amor eterno, iludindo o torcedor menos avisado. A cena ganha destaque até que a primeira pisada de bola os separe.

Por esta e muitas outras coisas, muitos pagam um preço alto por declarar amor a um clube de futebol. Alex que o diga. O menino de ouro pagou caro por isso, ironicamente dentro da própria casa arrumou alguns inimigos. Paga por isso até hoje. Como a história de Alex no Coritiba, só a de Kruger foi maior. Estes foram amores verdadeiros. Sem beijo de escudo, mas de sentimento verdadeiro.

Agora, uma outra relação parece estar começando, depois de uma grande declaração de amor feita há alguns dias. Veio sendo ensaiada e parece acabar em casamento duradouro, pelo menos é o que está se desenhando.

Este romance que cresceu há menos de uma semana, sem que ninguém apostasse nele. O amor entre Coritiba e Ruy, começou bonito. Ele vestia outra camisa, tinha uma outra torcida. Este mesmo Ruy que fez o segundo gol contra o time que defende a partir de agora. Ele mesmo que já ensaiou uns flertes, vestindo a camisa do Coritiba há quatro anos, quando começou a jogar futebol, mas foi desprezado pelo clube que o contrata agora. Um amor não correspondido. Histórias que só o futebol conta. Antes de vestir a camisa do Coritiba pela primeira vez, Ruy deve ter sentado na arquibancada, assim como nós, e sonhado em jogar pelo seu time do coração, como fazem os meninos que se iniciam no mundo da bola.

Que bons ventos o tragam Ruy. Mais do que nunca, precisamos da sua competência, e principalmente do seu amor pelo Coritiba. Parece que é isso que falta em campo. Quem sabe contagie os demais.

Para os que não lembram ou não souberam, Ruy foi o autor do segundo gol na decisão de domingo e não comemorou. No final da partida, disse que não teve coragem de comemorar porque deve muito ao Coritiba. Ruy colocou seu amor acima do profissionalismo, coisa que faz falta neste futebol de hoje. Para muitos, motivo até de brincadeira, mas ainda acho que é disso que o Coritiba precisa, é isso que faz falta ao futebol jogado hoje. Um pouco de amor não faz mal a ninguém, principalmente ao Coritiba, neste momento delicado que vive.Só por isso, Ruy chega com muito crédito. Deveria sair jogando, sem adaptação.

Senhor, dirigente, quando um atleta bater em sua porta, pedindo para fazer teste, pense nisso. Ele está lhe propondo um casamento. Se não der certo, a conversa é outra, é pra outro momento, bem lá frente.

Antes de tudo, o senhor terá alguém vestindo a camisa do seu clube, colocando o amor acima de tudo.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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