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ArquibancadaSergio Brandão

O amor de Miguel

Miguel é um menino de 8 anos e sem que alguém possa explicar, nasceu Coxa-Branca. Nem pai e nem mãe gostam de futebol ou o ensinaram a gostar do Coritiba.

Miguel ainda mora longe de Curitiba, o que o coloca em situação de desvantagem a outros meninos da mesma idade, igualmente apaixonados pelo Coxa.

Miguel mora a mais ou menos uns 200 km de Curitiba ou do Coritiba, como preferir.

Como diz a música," longe dos olhos, mas perto do coração". Miguel nunca viu o time jogar, a não ser pela tv.

Acompanha o Coxa como pode. Pela televisão, notícias em sites... jornal , etc.

Finalmente sua mãe precisou vir a Curitiba e calhou de Miguel estar de férias na escola. Era o momento que ele tanto esperou durante anos, desde que este amor pelo Coxa nasceu e foi crescendo.

Não teve dúvida: seu coracãozinho se encheu de alegria e depois de algumas conversas ficou acertado que viria com a mãe e assim que pudesse, seria levado por ela ao Couto Pereira, a casa do Coxa, como diz a minha filha. O programa foi planejado com dias de antecedência.

Ao menino resta tentar usar um programa do clube, "tour pelo Couto". Na noite anterior certamente não dormiu direito, tamanha a ansiedade.

Chega a hora e lá vão os dois ao estádio. Se já havia a frustração anterior de não conseguir acertar a vinda coincidindo com um dia de jogo, Miguel se contenta com um passeio, uma visita aos principais pontos do estádio, como sala de troféus, arquibancada, vestiário e gramado. Mas infelizmente nada disso foi possível. O sub 20 jogava neste dia e o tour é cancelado em dia de jogos no Couto. Claro, Miguel ficou triste, precisou se contentar com uma visita ao Coxa Store, como programa principal.

Ainda, graças a uma funcionária que se condoeu com a história de Miguel, com um jeitinho, lhe deu de presente uns 10 minutinhos da partida que garantiu a vaga Coxa às semifinais do sub 20. Miguel trouxe sorte, mas ficou brabo e chateado. Voltou pra casa triste.

Quem sabe a inocência de criança, seja o que todos buscamos neste momento.

Invejo a inocência e seu amor pelo clube, menino. Miguel me fez lembrar a minha infância, quando um pouco mais velho, acho que com 10 anos, fugia de casa para assistir aos treinos no Couto. Eu também era inocente assim e igualmente apaixonado. Não sabia de nada do que acontecia lá dentro dos vestiários, nem nas salas da velha sede da Ubaldino do Amaral. Nem queria saber, não precisava saber.

Num momento como os de hoje, que o clube faz o caminho contrário ao do torcedor, Miguel fica como exemplo, como motivação para que, apesar de tudo, e de todos, ainda existe o amor puro, bonito de uma criança por um clube de futebol, coisa que ninguém explica direito, e que provavelmente foi o caminho que muitos de nós fizemos até chegar ao Alto da Glória e de lá nunca mais sair.

Precisamos de muitos, como este menino, para recolocar o Coritiba nos eixos.

Eu, precisei de um Miguel para me fazer lembrar, que apesar da magoa com dirigentes e comandantes, acima disso tudo, ainda é possível revirar umas gavetas desta relação e achar o meu amor pelo Coritiba.

Valeu Miguel! Volte sempre e traga junto seu pé -quente, com seu amor pelo nosso Coritiba. Que venha com você a sorte que trouxe ao sub 20.

Da próxima vez que seja ao profissional, que precisa tanto de você. Porque nós andamos meio cansados, desiludidos até.

Volte mais vezes e que a próxima vez seja em dia de jogo. Tenho certeza que vamos vencer neste dia.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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