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ArquibancadaSergio Brandão

Novo atacante

Como disse há mais de um mês, eu ficaria quase ou totalmente ausente daqui, da coluna, por conta de um trabalho que me ocuparia por quase um mês e meio. Isso ainda vinga, tenho pouco mais de duas semanas pra terminar este serviço e voltar pra cá com mais assiduidade. Mas por enquanto vou me contentando com umas passadas breves, com participações menos frequentes como costumava fazer.

Não tenho conseguido ver os jogos e tão pouco ir ao estádio, por isso, me limito a fazer comentários mais genéricos, sobre a situação do time. Fico mais com alguns problemas pontuais, do que análise das partidas. Quando posso vejo alguns lances, leio o que tenho pela frente e concluo algumas coisas.

Ontem à noite cheguei em casa muito tarde, sem saber o resultado do jogo. No computador já tinha disponível os melhores momentos. Acessei sem saber de nada. De tudo que vi, uma coisa me chamou atenção: a coragem de Leandro.

Quando percebi que seria ele o cobrador do pênalti em Kazim, junto veio um frio na barriga. Senti que aquele seria o principal momento do jogador desde que chegou aqui. Leandro converte a cobrança em gol e empata a partida. Em seguida lembro que Leandro já me provocou no mínimo três sentimentos. O primeiro de desconfiança, logo que chegou, de alegria quando fez uma grande partida contra o time reserva do Avaí, na Primeira Liga, e de ódio na decisão contra o Atlético.

De desacreditado a um reabilitado nesta sua ainda curta passagem pelo Coritiba. Confesso que já tinha desistido de comprar brigas por Leandro. Eu e muita gente. Não que seus últimos gols, (Grêmio e Corinthians) sejam suficientes para me fazer mudar de opinião.

Como disse acima, apenas admirei a coragem do jogador em cobrar esta penalidade contra o Corinthians. Se errasse seria execrado e definitivamente sepultado pela torcida. Cairia de uma vez por todas em descrédito e dificilmente teria uma nova oportunidade. Aliás, oportunidade é a palavra que mais se ouve quando Leandro é a questão.

No momento do pênalti, ainda é possível ver com o detalhe da câmera debaixo, Leandro buscando a concentração, respirando fundo , tentando se concentrar na tarefa mais difícil que teve até aqui com a camisa do Coxa.

Vou um pouco mais longe. Se Leandro estiver ressurgindo, faz isso num momento importante nesta temporada de 2016, quando Carpegiani não tem outra opção, a não ser ele para fazer o papel de goleador. Com Kleber e Berola fora de combate por um longo tempo, resta Leandro.
Hoje cedo leio nas redes sociais que Leandro fez mais. Além do pênalti, jogou bem, correndo, ajudando na marcação e quase fazendo um segundo gol com um belo chute. Será a redenção dele? Gostaria de acreditar que sim. Precisamos acreditar que sim, afinal, não temos outra opção.

De qualquer maneira, Leandro sobe no meu conceito pela coragem que teve de ser o homem da cobrança do pênalti. Já sei que vergonha na cara e coragem, andam por ali. Qualidades suficientes para me fazer voltar a comprar novas discussões em nome de Leandro.

Na última coluna que publiquei, eu falava que precisávamos de um pouco de sorte, além da competência e qualidade que Carpegiani conseguiu dar ao time. Parece que a sorte deu uma soprada pro nosso lado nesta rodada. Achei um bom resultado, se a gente levar em conta as várias baixas que o time teve.

Que os bons ventos soprem. Que Leandro incorpore o espírito dos grandes goleadores, no minimo aquele que o consagrou no Palmeiras e até rendeu uma passagem pela Seleção Brasileira.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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