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ArquibancadaSergio Brandão

Novela com ares dramáticos

As últimas manchetes sobre o Coritiba, talvez mostrem melhor o desempenho do time em campo. Pelo menos através delas, é melhor entender seus bastidores do que tentar fazer isso por aqui, avaliando os problemas técnicos em campo.

Vejam só : Coxa vence Mosquito na Justiça e adia a apresentação do jogador no Corinthians – Eduardo Batista diz desconhecer caso Kleber – Coritiba lança marca própria de uniforme– Vitor Carvalho treina e não sente o problema. E quando o assunto é futebol, a alma do clube, que deveria ser de resultados de vitória, a manchete em destaque é : Coxa empaca em Londrina.

Bom para sinopse de novela mexicana, mas não para um clube que precisa viver de futebol. Que tem em sua torcida, uma expectativa ainda não correspondida, embora apesar dos títulos com as manchetes acima, espera ver um dia seu time jogando futebol. Pelo menos é isso a que se propõe há mais de 100 anos, mas que ultimamente foge um “pouco” deste foco, infelizmente.

Diz o presidente Samir em nota distribuída aos sócios, que até o final deste ano, o Coritiba terá dado um novo caminho para a fabricação de seus uniformes, com a ideia de uma confecção própria, em parceira com uma empresa de Fortaleza. Com isso, o clube pode alcançar uma economia de 1 milhão de reais, custo que tem lhe trazido dissabores nos contratos com marcas de renome, como Nike e Adidas, patrocinadores dos uniformes do time nos recentes anos.

Ousadia parece mesmo ser a tentativa que pretende marcar a administração Samir e seus colegas de G5. Mas ainda longe de alcançar o sucesso.

Começaram com uma proposta de valorização da base, que aos poucos foi naufragando. Mesmo com Sandro Forner no comando, que um pouco antes de sair, o time já perdia esta característica, deixando de ser formado com os “Os Piás do Couto”, denominação que marcou esta geração vice-campeã brasileira da categoria sub 20, mas que no profissional não funcionou. Trouxe mais frustração do que alegrias, embora todos torcessem pelo sucesso da ideia. Mal executada ou não, o fato é que os piás não deram conta do recado.

Agora, para deixar mais dúvida nesta politica de ideias ousadas, um dos “piás” ocupa há meses as manchetes em brigas judiciais com o próprio Coritiba, preferindo outro espaço para continuar sua profissão, do que ficar na casa que o revelou.

Outra joia da coroa, Julio Rusch, ocupa o banco de reservas, por opção do novo treinador que já substitui o anterior, vindo também da base.

O outro, Vitor Carvalho, tá machucado, provavelmente por ter ido à exaustão física, comprometendo um dos pés, numa lesão nada comum em atleta tão novo como ele.

A zaga que começou com Romércio e Thalisson Kelven, foi desfeita depois de alguns problemas técnicos. Thalisson sobreviveu, mas não se sabe até quando. Problemas sérios que o clube paga um preço muito alto até agora, ainda tentando achar o rumo no Brasileiro da Série B.

Kleber que divide opiniões, mal ou bem, até onde se apresentou para jogar, ajudava e fazia a diferença, mas agora também é um capitulo negro nesta novela mexicana que só ganha ingredientes apimentados, protagonizando uma história no minimo nebulosa, numa briga que provavelmente deve seguir até o final do ano, com muitos prejuízos principalmente ao clube.

Para o ano que vem, a ousadia traz a troca na forma de vestir os atletas e tentar faturar na venda de camisa entre torcedores.

Nos dê motivos para acreditar que mais esta ousadia terá sucesso, presidente. Para a torcida, isso tudo junto só ganha tons dramáticos, ainda muito mais perto de nos trazer mais problemas do que solução.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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