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ArquibancadaSergio Brandão

No divã do analista

Acho que estamos precisando de um analista. É que a cada novo período do Brasileiro, elegemos a próxima rodada, ou dois, três ou quatro jogos, como decisivos para nossa pretensão futura.

Há anos vivemos assim, elegendo, escolhendo datas, como se déssemos nova chance ao Coritiba, mas para provar a nós mesmos que agora a coisa vai. Geralmente e ultimamente a coisa não vai!

Fazemos isso, lá no fundo crendo em pelo menos duas situações: ou estamos nos enganando ou de fato queremos acreditar que desta vez temos motivos suficientes para acreditar no time.

Chegamos até a ver -algumas vezes - um time mais promissor, como agora. Ou não?
Estamos mais uma vez vendo futebol onde não tem?

Meu conhecimento e de muitos aqui, parecem suficientes para entender que ainda estamos com os pés no chão, mas longe de um divã de analista.

É certo que não somos tudo isso, mas depois de anos, inclusive quando ainda habitávamos a Série A, temos agora finalmente um time mais confiável, mas ainda com um grande problema que pode servir como o maior impedimento para o retorno à série A de 2020: não temos elenco. Prova disso foi a última rodada. Com muitos desfalques beiramos aquele velho e medonho futebol medíocre, responsável pelo descrédito que nos deixou assim, descrentes, desconfiados, estudando adversários e as rodadas seguintes.

O empate em casa com o Vitória e a derrota para a Ponte, trouxeram de volta a desconfiança, por isso alguns aqui elegeram uma nova fase.

Para uns serão quatro, para outros cinco rodadas que podem definir o futuro do Coritiba nesta segundona.

Estes dias, Samir “abriu” pra imprensa que finalmente vai eleger o futebol como prioridade número um. Abrindo mão das finanças do clube, a menina dos olhos desta administração, compromisso que assumiu na TV COXAnautas, na sua primeira entrevista depois de eleito. Não foi o que fez e também não sei se agora consegue cumprir a velha promessa, de levar o Coritiba de volta à elite do futebol brasileiro. Não sei se apenas querer reverter este quadro só agora, será suficiente para levar o Coritiba ao seu lugar.

Sou mais por acreditar que se subir, será muito mais porque teve mais sorte que juízo.

Porque agora, montar o elenco que deveria ter sido montado ano passado ou no começo deste ano, pode ser tarde. Será preciso sorte e competência para garimpar mão de obra por aí. É que esta competência parece não ser o forte do departamento de futebol do Coritiba. Pior, acho que corremos novo risco de inchar o elenco, sem a qualidade necessária para terminar o ano sem sustos.

Ainda assim, quero acreditar que a sorte finalmente anda rondando o Alto da Glória.

Com tropeços, novas decepções e sustos, até o final do ano, estamos muito mais para uma UTI cardiológica, do que um divã de analista.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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