No divã do analista
Há anos vivemos assim, elegendo, escolhendo datas, como se déssemos nova chance ao Coritiba, mas para provar a nós mesmos que agora a coisa vai. Geralmente e ultimamente a coisa não vai!
Fazemos isso, lá no fundo crendo em pelo menos duas situações: ou estamos nos enganando ou de fato queremos acreditar que desta vez temos motivos suficientes para acreditar no time.
Chegamos até a ver -algumas vezes - um time mais promissor, como agora. Ou não?
Estamos mais uma vez vendo futebol onde não tem?
Meu conhecimento e de muitos aqui, parecem suficientes para entender que ainda estamos com os pés no chão, mas longe de um divã de analista.
É certo que não somos tudo isso, mas depois de anos, inclusive quando ainda habitávamos a Série A, temos agora finalmente um time mais confiável, mas ainda com um grande problema que pode servir como o maior impedimento para o retorno à série A de 2020: não temos elenco. Prova disso foi a última rodada. Com muitos desfalques beiramos aquele velho e medonho futebol medíocre, responsável pelo descrédito que nos deixou assim, descrentes, desconfiados, estudando adversários e as rodadas seguintes.
O empate em casa com o Vitória e a derrota para a Ponte, trouxeram de volta a desconfiança, por isso alguns aqui elegeram uma nova fase.
Para uns serão quatro, para outros cinco rodadas que podem definir o futuro do Coritiba nesta segundona.
Estes dias, Samir “abriu” pra imprensa que finalmente vai eleger o futebol como prioridade número um. Abrindo mão das finanças do clube, a menina dos olhos desta administração, compromisso que assumiu na TV COXAnautas, na sua primeira entrevista depois de eleito. Não foi o que fez e também não sei se agora consegue cumprir a velha promessa, de levar o Coritiba de volta à elite do futebol brasileiro. Não sei se apenas querer reverter este quadro só agora, será suficiente para levar o Coritiba ao seu lugar.
Sou mais por acreditar que se subir, será muito mais porque teve mais sorte que juízo.
Porque agora, montar o elenco que deveria ter sido montado ano passado ou no começo deste ano, pode ser tarde. Será preciso sorte e competência para garimpar mão de obra por aí. É que esta competência parece não ser o forte do departamento de futebol do Coritiba. Pior, acho que corremos novo risco de inchar o elenco, sem a qualidade necessária para terminar o ano sem sustos.
Ainda assim, quero acreditar que a sorte finalmente anda rondando o Alto da Glória.
Com tropeços, novas decepções e sustos, até o final do ano, estamos muito mais para uma UTI cardiológica, do que um divã de analista.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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